Manhattan, terça-feira, 11 de setembro de 2001. Manhã solarenga de verão na cidade que nunca dorme. O que parecia um dia normal tornou-se num momento que marcou a história e que teve impacto na vida quotidiana de milhões de pessoas, nos EUA e no resto do mundo.
Ao início da manhã, 8h46 (13h46 em Lisboa), começam a surgir os primeiros relatos: as televisões, como a CNN ou a CBS, interrompem a emissão para lançarem os primeiros alertas de última hora sobre “a colisão de um avião” com uma das torres do World Trade Center (WTC).
A maior parte das testemunhas, ouvidas em dezenas de reportagens ou documentários, lembram que “ninguém sabia o que estava a acontecer”. Só conseguiram entender que se tratava de um atentado mais tarde - quando as televisões mostravam em direto a todo o mundo um segundo avião a embater noutra torre do WTC.
Mas o choque não se limitou a Nova Iorque. Um outro avião, meia hora mais tarde, despenhou-se sobre o Pentágono. Das aeronaves desviadas por terroristas, só uma não terá chegado ao destino final.
O voo 93 da United Airlines despenhou-se em Shanksville, no estado da Pensilvânia. As investigações que se seguiram concluíram que foram os passageiros a entrar em confronto com os terroristas a bordo. O avião teria como destino o Capitólio ou a Casa Branca. A 11 de setembro de 2001 morreram quase três mil pessoas. Só pouco mais de 1600 foram identificadas. A Al-Qaeda e Bin Laden – dos avisos aos ataques
Foi no final dos anos 1980 que Osama Bin Laden fundou o movimento extremista Al-Qaeda e, uma década mais tarde, a partir das cavernas do Afeganistão, declarou guerra à América. Nascido em Riade, na Arábia Saudita, era filho de um empresário e investidor do ramo da construção civil.
Osama bin Laden criticava o apoio norte-americano a regimes do Médio Oriente, que classificava de “tirânicos” e “apóstatas”, como o próprio regime saudita. Considerava mesmo que se tratava de uma “agressão ocidental contra os muçulmanos em todo o mundo”, recorda o The Guardian.
Durante os anos 1990, houve uma série de atentados da autoria da Al-Qaeda contra embaixadas e bases americanas na África Oriental. No início dos anos 2000, também houve um ataque suicida que quase afundou um navio de guerra norte-americano ao largo do Iémen.
Em território norte-americano, a 26 de fevereiro de 1993, uma carrinha carregada de explosivos rebentou na garagem do World Trade Center, provocando a morte a seis pessoas. Mais de mil ficaram feridas.
Mais tarde, o inquérito do Congresso dos EUA destacou a incapacidade de altos responsáveis, incluindo o presidente George W. Bush, de agir perante os vários avisos dos serviços de inteligência. Os documentos, lembra o jornal The Guardian, também apontam falhas do FBI e da CIA em partilhar informações cruciais que podiam ter impedido a tragédia do 11 de Setembro.
“Hoje, os nossos compatriotas, o nosso modo de vida, a nossa própria liberdade, foram atacados numa série de atos terroristas deliberados e mortíferos.” Foi com esta frase que o Presidente dos EUA, George W. Bush, iniciou o discurso que fez, a partir da sala oval, na Casa Branca, 12 horas após os atentados terroristas.
Na manhã desse dia, o então líder norte-americano estava numa visita a uma escola primária na Florida. Sem compreender de imediato o que se passava, pediu para se manter informado sobre o que estava a acontecer em Nova Iorque. Minutos mais tarde, desfizeram-se as dúvidas. “O Andy Card (chefe de gabinete da Administração Bush) veio ter comigo e disse-me: um segundo avião colidiu com a segunda torre. A América está sob ataque”, recordou Bush, numa entrevista à BBC.
Logo ali, o republicano lamentou o que estava a acontecer e, pouco tempo depois, percebeu que também houve aviões desviados para Washington, obrigando-o a passar largas horas no ar, a bordo do Air Force One, antes de aterrar no Nebraska.
Três dias depois, Bush deslocou-se a Nova Iorque ao local, mais tarde, conhecido hoje como Ground Zero. Perante milhares de trabalhadores, polícias e bombeiros, quis deixar uma garantia dirigida ao país e ao mundo. “As pessoas que derrubaram estes edifícios vão ouvir-nos a todos em breve”, afirmou, sendo fortemente aplaudido.
A resposta no Afeganistão
Menos de um mês depois dos atentados, surgiu a primeira resposta de Washington contra a Al-Qaeda. “Sob as minhas ordens, as forças dos EUA começaram a bombardear os campos de treino dos terroristas da Al-Qaeda e as instalações militares do regime taliban no Afeganistão.
Estas ações, cuidadosamente direcionadas, têm como objetivo impedir que o Afeganistão seja utilizado como base de operações terroristas e enfraquecer a capacidade militar do regime talibã”, anunciou George W. Bush numa declaração na Casa Branca a 7 de outubro de 2001.
Só ao fim de 20 anos, em 2022, é que os EUA saíram definitivamente do Afeganistão. Ao longo desse período, houve comparações “com o Vietname”, lembrando as consequências do conflito dos anos 1970.
Os analistas do Pentágono acreditavam que Osama Bin Laden estaria escondido nas montanhas afegãs, mas só em 2011 foi localizado e morto numa operação das forças especiais norte-americanas no Paquistão.
Ao longo de duas décadas, foram milhares as vítimas, entre civis e militares, de uma guerra “sem fim”, como mencionavam vários relatórios do congresso. Ao dia de hoje, a Al-Qaeda ainda existe, lembra a BBC, sobretudo na África subsariana e, inclusive, com alguns membros no território afegão.