Quatro grandes não vão a Londres decidir em nome da UE, garante porta-voz alemão
Berlim, 27 Jan (Lusa) - A reunião dos chefes de governo dos quatro maiores da União Europeia, na terça-feira, em Londres, "não se destina a tomar ou antecipar decisões em nome da União Europeia", disse à Lusa o porta-voz do governo alemão.
Ulrich Wilhelm anunciou que o encontro entre a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente francês Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro italiano Romano Prodi e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown na capital britânica servirá para debater a actual crise financeira internacional, o papel das organizações internacionais e ainda a protecção climática.
No entanto, há quem avance que o mandato do BCE pode ser um dos temas em cima da mesa.
Wilhelm sublinhou que a reunião de Londres "foi preparada em intensa cooperação" com a actual presidência eslovena da União Europeia e com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, "que aliás estará presente", lembrou.
Wilhelm respondia assim a uma questão levantada pela Lusa no habitual "briefing" dos porta-vozes do governo germânico sobre as críticas de alguns executivos, nomeadamente Portugal, à realização do encontro.
"Ao nível europeu, temos órgãos próprios para discutir essa matéria", disse na terça-feira, em Bruxelas, o ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos.
O responsável governamental português reconheceu que todos os Estados-membros têm a "liberdade" para "promover" as reuniões que entenderem e "reflectir sobre assuntos que interessam a todos", mas insistiu que o Conselho Europeu (líderes dos 27) ou Conselho de ministros das Finanças são as instâncias europeias onde esse tipo de questões devem ser discutidas.
Wilhelm asseverou hoje, no entanto, que a reunião na capital britânica limita-se a reunir os países europeus membros do G-8, grémio que tem debatido ultimamente o problema da transparência dos mercados financeiros internacionais e da eventual criação de mecanismos reguladores para fazer face a investimentos especulativos.
Neste contexto, lembrou que o debate sobre maior transparência dos mercados financeiros já ocorreu no Conselho Europeu de Lisboa, durante a presidência portuguesa da União Europeia, com base num documento apresentado pela Alemanha.
No final do ano passado, Alemanha, França e Reino Unido elaboraram um memorando conjunto sobre este tema, apresentado na ocasião aos parceiros da UE.
Recentemente, a chanceler alemã Angela Merkel anunciou que pretende prosseguir o debate no âmbito do G-8 sobre a adopção de um eventual código de conduta dos agentes dos mercados financeiros, com base no auto-compromisso.
"Os recentes acontecimentos aumentaram a sensibilidade para esta questão", disse Merkel, a 15 de Janeiro, em Berlim, na sua primeira grande conferência de imprensa em 2008.
Interpelado pela Lusa, o porta-voz germânico garantiu ainda que as conclusões do encontro de Londres serão posteriormente apresentadas aos restantes países da União Europeia, nomeadamente no quadro do ECOFIN (conselho de ministros da economia e finanças dos 27).
FA/FPB.