Quatro ondas de calor de maio a julho. Copernicus regista temperaturas históricas na Europa Ocidental

Quatro ondas de calor de maio a julho. Copernicus regista temperaturas históricas na Europa Ocidental

O relatório do sistema europeu Copernicus revela que houve uma combinação de registos extremos. As temperaturas e outras condições excecionais na Europa Ocidental transformaram o período junho-julho mais quente desde que existem registos. A que se juntam "seca excecional em grande parte da região, incêndios florestais particularmente intensos e extensos" e "temperatura recorde da superfície dos oceanos para um mês de julho".

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Onda de calor põe à vista medidor de nível da água no rio Danúbio, perto de Orth an der Donau, na Áustria, a 6 de agosto de 2026. Christian Bruna - Reuters

O documento, divulgado esta segunda-feira, mostra que França, Espanha, Inglaterra e Irlanda registaram temperaturas muito acima da média, numa “sucessão invulgar de vagas de calor". "Entre maio e julho ocorreram quatro ondas de calor, sendo a terceira e a quarta registadas em julho”. Enquanto os termómetros iam registando temperaturas recorde, também a chuva não ajudou

Pelo contrário, a precipitação manteve-se muito abaixo do normal e, em vários países, os solos perderam grande parte da humidade.

Houve também uma “diminuição significativa de caudais de rios, incluindo rios como o Sena, o Reno e o Danúbio” que teve impacto no abastecimento de água, irrigação e na produção de energia em vários países.

De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, implementado pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, julho também registou a maior temperatura da superfície do mar de sempre, neste mês, nos oceanos extrapolares.

Aliás, em toda a Europa os recordes ao longo do Atlântico e do Mediterrâneo ocidental foram associados a ondas de calor marinhas fortes ou severas e generalizadas. Em julho, a temperatura da superfície do mar atingiu 20,96°C. O anterior recorde tinha sido estabelecido em julho de 2023, com 20,89°C.

Este recorde é enquadrado pelos cientistas do Copernicus numa tendência mais ampla de aquecimento climático. E não apenas resultado do fenómeno El Niño.

Estas ondas de calor marinhas afetaram comunidades e ecossistemas costeiros e são vários os impactos. Nos ecossistemas marinhos, por exemplo, há alteração das rotas migratórias de espécies. Nas populações costeiras surgem “impactos na pesca, alterações na aquacultura e maior risco para algumas atividades turísticas”.

Às temperaturas globais mais elevadas da superfície oceânica em julho juntaram-se condições prolongadas e excecionalmente quentes e secas

Na Europa ocidental estas condições foram o alimento suficiente para a propagação e intensificação de incêndios florestais extremos.

O comunicado sublinha também que tem havido um reforço na relação entre calor extremo e seca. Porquê?

“Porque quando os solos secam deixam de conseguir arrefecer o ambiente através da evaporação da água:

• Mais calor seca os solos;
• Solos mais secos aumentam ainda mais a temperatura;
• Temperaturas mais altas favorecem incêndios;
• Incêndios libertam mais calor e degradam a vegetação.

A diretora do Serviço de Monitorização Atmosférica de Copernicus, Laurence Rouil, explica que "as alterações climáticas estão a provocar cada vez mais condições quentes e secas que favorecem grandes incêndios florestais de alta intensidade no sul da Europa”.

Ora, “incêndios maiores produzem mais fumo que se eleva mais na atmosfera, o que significa que pode viajar mais longe e prejudicar a qualidade do ar não apenas localmente, mas (…) a milhares de quilómetros de distância."
Mais dados?
Pode encontrar aqui as respostas às perguntas mais frequentes sobre a monitorização da temperatura. 

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Acompanhe aqui as emissões diárias globais decorrentes de incêndios florestais, a intensidade dos incêndios em cada região.
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