Quatro países da pan-Amazónia com 1.308 conflitos socioterritoriais entre 2017 e 2018

Quatro países da Pan-Amazónia registaram 1.308 conflitos socioterritoriais em 2017 e 2018 e muitos ainda continuam ativos, com o Brasil a encabeçar a lista, com 995 no total, revelou esta quarta-feira um estudo.

Lusa /

"Ao todo, as lutas socioterritoriais envolveram 167.559 famílias amazónicas", segundo o Atlas de Conflitos Socioterritoriais Pan-Amazónico, organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e que une diversas entidades para mapear conflitos da Amazónia, que abrange, ao todo, nove países.

O estudo envolve o Brasil, Colômbia, Peru e Bolívia e cobre 85% da área Pan-Amazónia.

O Brasil, que tem 60% da área territorial, lidera a lista com o maior número de conflitos, com 995.

Seguem-se a Colômbia (227), Peru (69) e Bolívia (17).

Entre 2017 e 2018, 131.309 famílias no Brasil foram atingidas por estes conflitos, enquanto o Peru registou 27.279 famílias, a Colômbia 7.040 e a Bolívia 1.931, este último ainda sob a liderança de Evo Morales, pode ler-se.

O trabalho faz o levantamento de conflitos causados por `sujeitos sociais` que "resistiram, junto dos seus territórios, ao avanço de frentes colonizadoras, extrativistas e de grilagem de terras [falsificação de documentos para tomar posse de terras]".

Outras causas de conflitos são o agronegócio, com mais incidência no Brasil, a mineração ou extração de petróleo ou gás (Peru), a plantação de produtos ilícitos (Colômbia) ou a construção de hidroelétricas ou outros projetos energéticos, com incidência nos quatro países.

"Em três países, Brasil, Colômbia e Bolívia, a utilização dos territórios comunitários e/ou camponeses para uso público ou militar também é citada como outra causa de conflitos", acrescenta-se ainda.

O documento regista também a "violência contra as pessoas e a destruição das suas posses".

"Nestes dois anos foram registadas 118 mortes, sete delas de mulheres vítimas da violência, que lutaram por suas famílias e por seus territórios nos quatro países da Pan-Amazónia", assinala-se.

"A violência contra a posse, que catalogam, paulatinamente, o avanço dos inimigos sobre os territórios do povo amazónico do campo, somaram um total de 401 despejos de terras e 380 casos de destruição de casas, lavouras ou outros bens", sublinha-se.

Um dos elementos da Comissão Pastoral da Terra responsável pelo estudo, Josep Iborra, destacou a necessidade de "fortalecer a posição e resistência de aqueles que lutam pelas suas terras e territórios dos povos da floresta e dos povos das águas, incluindo nos territórios os rios e lagos, as águas que tanta importância tem na região amazónica".

"Que as árvores não nos impeçam de ver o bosque, qualificar e unificar nossa visão do que acontece na Amazónia toda", realça-se no documento.

 

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