Queda de avião em Pequim poderá reforçar controlo sobre aviação privada
Analistas consideram que o embate de um avião ligeiro contra a Torre Citic expôs uma rara falha de segurança na capital chinesa e poderá desencadear purgas e reforçar o controlo sobre a aviação privada.
O acidente ocorreu na sexta-feira, quando uma aeronave de pequena dimensão embateu na fachada leste do edifício mais alto de Pequim, a Torre Citic, também conhecida como "China Zun", provocando a morte do piloto e ferimentos em 13 pessoas.
O incidente foi rapidamente envolvido por um forte dispositivo de segurança e por um apertado controlo da informação. Os funcionários do conglomerado estatal Citic receberam instruções para não falar sobre o acidente, enquanto as autoridades impuseram um perímetro policial em redor do edifício e limitaram a cobertura do caso nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais.
O voo levanta questões delicadas para as autoridades responsáveis pela segurança da capital, uma das cidades mais vigiadas do mundo, onde o Partido Comunista Chinês mantém uma política de tolerância zero em relação a incidentes que possam afetar a estabilidade.
O aparelho descolou de uma escola de aviação no distrito de Pinggu, nos arredores de Pequim, e voou até uma zona situada a cerca de sete quilómetros de Zhongnanhai, o complexo onde trabalham os principais dirigentes chineses, incluindo o Presidente Xi Jinping.
As autoridades chinesas confirmaram o acidente apenas quase 24 horas depois, através de um breve comunicado, sem divulgarem a identidade do piloto nem esclarecerem se o embate resultou de um acidente ou de um ato deliberado.
Citado pelo jornal britânico Financial Times, o professor de Ciência Política da Claremont McKenna College, Minxin Pei, classificou o episódio como "sem precedentes", considerando que revela "uma enorme falha de segurança" e poderá ter consequências para os responsáveis pelo dispositivo de proteção da capital.
Outro especialista ouvido pelo jornal, James Char, da S. Rajaratnam School of International Studies, em Singapura, afirmou que o incidente terá impacto político por poder transmitir aos adversários da China a imagem de vulnerabilidades na defesa de Pequim, embora tenha salientado que as autoridades dispunham de muito pouco tempo para reagir.
O acidente ocorre numa altura em que Xi Jinping prossegue uma vasta campanha de reorganização das Forças Armadas chinesas, marcada pela destituição de dezenas de altos oficiais desde que chegou ao poder.
Segundo os analistas, o incidente poderá também levar a um endurecimento das regras aplicáveis à aviação ligeira e às aeronaves privadas, colocando novos obstáculos aos planos de Pequim para desenvolver a chamada "economia de baixa altitude", um setor que inclui drones, táxis aéreos e outras aeronaves elétricas e que as autoridades esperam transformar numa indústria avaliada em 3,5 biliões de yuan (cerca de 455 mil milhões de euros) até 2035.
"Eles vão impor um conjunto de regras muito rigorosas e estou convencido de que vão instalar novos sistemas de defesa aérea ou mobilizar novas unidades para proteger o complexo onde se encontra a liderança", afirmou Pei.