Quénia planta manguezais e corais para mitigar riscos costeiros
Enquanto populações quenianas residentes no litoral plantam manguezais para restaurar o ecossistema de carbono azul, mergulhadores da fundação REEFolution plantam viveiros de corais perto da ilha de Wasini, no oeste do Oceano Índico. Pelo menos 65 por cento da população do litoral queniano sofrerá o impacto da regressão da linha costeira devido aos processos de erosão e da subida do nível médio do mar.
Zona costeira do Quénia
O país detém a maior infraestrutura portuária da África Oriental, onde os portos Kilindini e Porto Velho representam um papel importante na economia nacional e regional.
Projetos para uma costa de mar mais saudável
Na Baía Gazi, na costa sul do Quénia, o mangue é a estrela. A proteção desta floresta, para além de render dinheiro à população, rende 'créditos de carbono' que são concedidos para cada tonelada de emissões de gases de efeito estufa retirada da atmosfera.
Desde 2013 que estes grupos têm sido motivados a plantar mangues, já que os benefícios vão além do rendimento, com as florestas a ajudar a proteger a terra da erosão costeira e da perda de peixes - e, assim, também a qualidade do ar melhora.
"O manguezal está a prosperar e o ar ficou mais limpo para as aldeias próximas às matas. As matas de mangue também fornecem um terreno fértil para os peixes e, nos últimos 10 anos, notámos um aumento no número de cardumes, ao contrário dos anos anteriores", explicou Abdalla Bakari, um dos colaboradores do projeto, em declarações à Africanews.
"Hoje vimos que temos muita comunidade envolvida porque eles são os guardiões", explica Stanley Nadir, investigador do Instituto de Pesquisa Florestal do Quênia. "Eles têm conhecimento indígena. Vivem em torno desses manguezais e, portanto, são os primeiros beneficiários dos manguezais. Se houver perda de manguezais, os seus meios de subsistência são afetados", acrescenta.
Para contrariar esta tendência, a associação REEFolution Kenya associou-se à Wageningen University & Research e ao Serviço de Vida Selvagem do Quénia para desenvolverem um projeto dedicado à educação e restauração de recifes de coral.
A gestão de recifes envolve os moradores locais, que ajudam na identificação de áreas degradadas, instalação e manutenção de viveiros de corais e restauração de recifes.
Esses viveiros são estruturas onde se colocam fragmentos de corais ramificados de vários tipos. Com orientação dos investigadores, as condições de crescimento dos corais nos viveiros são otimizadas e as manchas degradadas dentro do Kisite Marine Park, na ilha Wasini, são restauradas.
Divers at Reefolution Foundation are rejuvenating the Indian Ocean’s dying coral reefs off the coast of Kenya. Using its special tree-like structures, the foundation has been able to foster environments for the coral to thrive. pic.twitter.com/6opMn9jpGi
— Newsweek (@Newsweek) June 28, 2022
Desde 2010, têm sido plantados mais de 8.000 corais por ano. Em junho de 2022, foram colocados mais 800 estruturas de recifes artificiais em Wasini
Estas plantações de coral, se não forem destruídas, irão ajudar a repovoar o mar costeiro com mais peixe e toda a vida marinha que deles depende, o que beneficiará as atividades marítimas e turísticas da região.
Tim McClanahan, zoólogo sénior de conservação da Wildlife Conservation Society, disse ao Washington Post que a prevalência do branqueamento em massa de corais ao longo do Oceano Índico Ocidental vem preocupando os cientistas há décadas, sendo problemas relacionados com as ações humanas.
O projeto de restauração dos recifes de Wasini enfrenta a ameaça de destruição e poluição devido à proposta de construção de um porto de pesca em alto mar em Shimoni. Ironicamente, o porto é uma das principais promessas que o governo queniano fez na primeira Cimeira dos Oceanos da ONU em Nairóbi, em 2018, e, de acordo com a publicação norte-americana, será reiterada durante a II Cimeira em Lisboa, na qual é co-organizador .
Na agenda desta Conferência Oceânica das Nações Unidas está em cima da mesa a necessidade de proteção e restauração dos recifes de coral, essenciais para a saúde dos mares.