Quinta noite consecutiva distúrbios em subúrbio de Paris
Doze pessoas foram detidos na noite de segunda-feira em Clichy-sous-Bois, um subúrbio de Paris onde pela quinta noite consecutiva se registaram confrontos entre dezenas de jovens e polícias.
Segundo a prefeitura de Seine-Saint-Denis, verificaram-se alguns "distúrbios localizados" em Clichy e noutras localidades vizinhas, com carros e caixotes do lixo incendiados e provocações aos polícias mobilizados.
A destruição de bens, posse de substâncias inflamáveis e violências voluntárias estiveram na base das novas detenções.
No local encontravam-se cerca de 400 agentes da polícia de intervenção, que foram mais uma vez alvo de "cocktails molotov", tendo a situação sido considerada "controlada" às primeiras horas da madrugada.
Os ânimos têm estado acesos neste bairro a norte de Paris desde sexta-feira, quando dois adolescentes de 15 e 17 anos morreram electrocutados num transformador de electricidade, onde se refugiaram alegadamente durante uma fuga da polícia.
Um outro jovem, de 21 anos, ficou ferido com gravidade e encontra-se hospitalizado.
As autoridades, que efectuavam um controlo de identidade, negam ter perseguido os jovens e o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, anunciou a abertura de um inquérito cujos resultados prometeu divulgar.
A situação tomou novos contornos no domingo, quando uma granada de gás lacrimogéneo da polícia foi encontrada dentro de uma mesquita, o que indignou os fiéis muçulmanos.
A tensão aumentou na tarde de segunda-feira, após a condenação de três jovens que participaram nos distúrbios das noites anteriores pelo tribunal de Bobigny a dois meses de prisão efectiva por terem atirado pedras contra as forças de ordem.
Outras cinco pessoas aguardam julgamento, que foi adiado na segunda-feira para a próxima semana.
Entretanto, as famílias das vítimas, que vão apresentar queixa por "falta de assistência a pessoa em perigo", recusaram encontrar-se com o ministro do Interior, que qualificaram de "incompetente" e pediram um audiência com o primeiro-ministro.
"Nós pedimos calma, pedimos que a justiça seja feita, pedimos que os CRS [Polícia de choque] partam e pedimos para sermos recebidos pelo senhor [Dominique] de Villepin", exigiu segunda-feira Siyakah Traore, irmão de Bouna, um dos jovens mortos.