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Racismo "aceitável"? Declarações de candidata socialista em França suscitam indignação
Audrey Pulvar, antiga jornalista e candidata pelo partido Socialista na região parisiense, alimentou uma polémica recente em França ao admitir que uma pessoa de pele branca possa ter de manter o silêncio durante uma reunião não mista.
Entrevistada pela cadeia BFMTV, Audrey Pulvar, atualmente adjunta da Câmara Municipal de Paris, admitiu com serenidade a hipótese de pessoas com traços comuns se reunirem apenas entre si.
"Que as pessoas descriminadas pelas mesmas razões e da mesma forma sintam necessidade de se reunir entre si para debater isso, isso não me choca", afirmou. Foi a frase seguinte que originou indignação.
"Se ali estiver nessa reunião uma mulher branca, um homem branco, não há nada que o, ou que a, expulsar. Em contrapartida, podem pedir-lhe para se calar, de ser espetador ou espetadora em silêncio". As declarações seguem-se a uma semana de polémica em França em torno do principal sindicato estudantil do país, Unef, cuja presidente, Melanie Luce, defendeu a organização de reuniões "nãos mistas", para "permitir às pessoas alvo de racismo poderem exprimir o que sofrem".
Marine Le Pen, presidente do partido Reunião Nacional, de extrema-direita, considerou que a procuradoria devia "iniciar processos legais contra a senhora Pulvar por incitar à discriminação racial".
Palavras "desajeitadas"
O líder parlamentar do partido presidencial, Christophe Castaner, recusou "contribuir para a caça" a Pulvar, apesar de considerar as suas palavras "no mínimo desajeitadas".
"Este tipo de reuniões é por vezes necessário para libertar a palavra de um grupo que se sente vítima", defendeu este histórico apoiante de Emmanuel Macron.
"Que as pessoas descriminadas pelas mesmas razões e da mesma forma sintam necessidade de se reunir entre si para debater isso, isso não me choca", afirmou. Foi a frase seguinte que originou indignação.
"Se ali estiver nessa reunião uma mulher branca, um homem branco, não há nada que o, ou que a, expulsar. Em contrapartida, podem pedir-lhe para se calar, de ser espetador ou espetadora em silêncio". As declarações seguem-se a uma semana de polémica em França em torno do principal sindicato estudantil do país, Unef, cuja presidente, Melanie Luce, defendeu a organização de reuniões "nãos mistas", para "permitir às pessoas alvo de racismo poderem exprimir o que sofrem".
A entrevista a Pulvar, originária da ilha Martinica nas Antilhas Francesas, foram rejeitadas veementemente pela direita e pela extrema-direita.
"Na minha regiao, nenhum habitante deve ser discriminado pela cor da sua pele. Não há racismo aceitável" tweetou a atual presidente da região Ilha de França, Valérie Précresse.
Marine Le Pen, presidente do partido Reunião Nacional, de extrema-direita, considerou que a procuradoria devia "iniciar processos legais contra a senhora Pulvar por incitar à discriminação racial".
Palavras "desajeitadas"
O líder parlamentar do partido presidencial, Christophe Castaner, recusou "contribuir para a caça" a Pulvar, apesar de considerar as suas palavras "no mínimo desajeitadas".
"Este tipo de reuniões é por vezes necessário para libertar a palavra de um grupo que se sente vítima", defendeu este histórico apoiante de Emmanuel Macron.
À esquerda, a socialista recebeu o apoio de Jean-Luc Mélenchon, também da rede Twitter. "Audrey Pulvar não é racista! Ela percebeu simplesmente o que é um grupo de palavra", defendeu o líder da França Insubmissa. "Sim, numa reunião não-mista LGBTQI+, como hetero, eu ficaria calada, ouviria", referiu a antiga jornalista.
Audrey Pulvar respondeu às criticas de racismo na rede Twitter, sublinhando que "as reuniões não-mistas não se referiam apenas a questões sobre a cor da pele".
Pulvar, de 49 anos, fez história enquanto jornalista no início do século, como primeira mulher negra a apresentar um jornal de televisão em França.
É candidata pelo Partido Socialista à região ilha de França, que engloba Paris e a área limítrofe, para as eleições regionais marcadas para junho.