Mundo
Radiação nuclear: a nova esperança no combate ao vírus Zika
A Agência Internacional de Energia Atómica reúne-se esta segunda-feira em Brasília para discutir um novo método de erradicação do mosquito responsável pela propagação do vírus com o uso de tecnologia nuclear. A radiação destina-se a impedir a reprodução do Aedes aegypti, através da esterilização.
O garante da saúde pública não costuma ser a missão que mais facilmente associamos aos responsáveis da Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA, na sigla em inglês), agência responsável por promover o controlo de uso abusivo de energia nuclear pelas grandes potências. Mas desta vez, a IAEA entra em cena para combater o mosquito responsável pela transmissão de doenças como o Zika, dengue, febre-amarela e chikungunya.
Um grupo de especialistas vindos do México, China, Suécia, Tailândia, Trinidad e Tobago e Estados Unidos reúne-se entre esta segunda e terça-feira com responsáveis do Ministério da Saúde, em Brasília, para discutir um plano de implementação deste método de combate pela radiação, em conjunto com a agência de energia atómica e a Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU (FAO).
Estas não são as primeiras conversações entre os responsáveis da agência e representantes da Saúde da América do Sul. Yukiya Amano, diretor-geral da IAEA, esteve em vários países afetados pelo Zika a fim de concertar esforços para o uso deste método alternativo. Na visita ao México, no início do mês, Amano esteve reunido com responsáveis de saúde e com o secretário de estado da Energia, Pedro Joaquín Coldwell, com o objetivo de garantir toda a segurança na aplicação deste modelo.
O vírus Zika já foi detetado em 23 diferentes países na América do Sul e está aparentemente relacionado com graves malformações e casos de microcefalia em recém-nascidos. Atualmente sem vacinas e sem uma cura, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já declarou o vírus como uma situação de emergência de saúde pública a nível internacional.
Um método inovador
O uso de tecnologia nuclear para a erradicação de pragas é pouco conhecido mas não é propriamente uma novidade. Trata-se da Sterile Insect Technique (SIT), destinada a combater as populações deste mosquito, impedindo a reprodução do mesmo, e consiste numa forma de controlo de pragas que utiliza radiação ionizante para esterilizar insetos machos. Estes machos estéreis são mais tarde libertados de forma sistemática e acasalam com fémeas selvagens, sem produzirem descendentes. A Agência Internacional de Energia Atómica explica que esta forma de combate tem sido bem sucedida no combate a populações de insetos agrícolas ao longo das últimas décadas.
“Embora os métodos de controlo de mosquitos à base de inseticidas convencionais já terem provado ser eficazes no controlo de mosquitos, a resistência aos inseticidas está a aumentar”, avisa a IAEA, que se compromete em procurar novas formas de combate ao inseto.
Acrescenta a Agência Internacional de Energia Atómica que o SIT é “um dos métodos mais seguros e mais respeitadores do ambiente” e é atualmente aplicado em várias campanhas de controlo de mosquitos agrícolas, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Destacam-se os casos de eliminação da mosca tsé-tsé em Zanzibar e da mosca da fruta, no norte do México.
Em Seibersdorf, na Áustria, um grupo de investigadores internacionais está a estudar a aplicação da técnica SIT em casos específicos de Zika, em populações de mosquitos sob observação em laboratório. Depois de serem esterilizados com fontes radioativas, os insetos são libertados na natureza para acasalar com as fémeas selvagens. “É como se fosse planeamento familiar aplicado a insetos”, explica Jorge Hendrichs, diretor da unidade de estudo, em declarações à Agência France Presse.
Konstantinos Bourtzis, biólogo molecular da organização, admite no entanto que o uso da técnica SIT à escala industrial ainda está num estágio inicial, mas já mostra resultados encorajadores: “É como os carros na década de 1890. Funcionam, mas terão de ser submetidos a um maior desenvolvimento e refinamento”, explica o responsável.
DesafiosApenas os mosquitos fémeas Aedes aegypti picam e são responsáveis pela transmissão de doenças.
A separação entre mosquitos machos e fémeas constitui uma das grandes dificuldades técnicas dos investigadores. Entre as populações de mosquito sob análise laboratorial, existem também mosquitos fémeas em estado selvagem.
Para precaver esta situação, os investigadores estão a aperfeiçoar um método alternativo para assegurar que as fémeas acidentalmente libertadas também estejam esterilizadas.
O custo elevado deste método quando aplicado à escala industrial é outra das barreiras que as entidades de saúde pública poderão enfrentar. Os testes até agora realizados foram aplicados sobretudo em pequenas localidades e a aplicação deste modelo em grandes cidades poderá levar anos a ser concretizada, explicam os investigadores.
Um grupo de especialistas vindos do México, China, Suécia, Tailândia, Trinidad e Tobago e Estados Unidos reúne-se entre esta segunda e terça-feira com responsáveis do Ministério da Saúde, em Brasília, para discutir um plano de implementação deste método de combate pela radiação, em conjunto com a agência de energia atómica e a Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU (FAO).
Estas não são as primeiras conversações entre os responsáveis da agência e representantes da Saúde da América do Sul. Yukiya Amano, diretor-geral da IAEA, esteve em vários países afetados pelo Zika a fim de concertar esforços para o uso deste método alternativo. Na visita ao México, no início do mês, Amano esteve reunido com responsáveis de saúde e com o secretário de estado da Energia, Pedro Joaquín Coldwell, com o objetivo de garantir toda a segurança na aplicação deste modelo.
O vírus Zika já foi detetado em 23 diferentes países na América do Sul e está aparentemente relacionado com graves malformações e casos de microcefalia em recém-nascidos. Atualmente sem vacinas e sem uma cura, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já declarou o vírus como uma situação de emergência de saúde pública a nível internacional.
Um método inovador
O uso de tecnologia nuclear para a erradicação de pragas é pouco conhecido mas não é propriamente uma novidade. Trata-se da Sterile Insect Technique (SIT), destinada a combater as populações deste mosquito, impedindo a reprodução do mesmo, e consiste numa forma de controlo de pragas que utiliza radiação ionizante para esterilizar insetos machos. Estes machos estéreis são mais tarde libertados de forma sistemática e acasalam com fémeas selvagens, sem produzirem descendentes. A Agência Internacional de Energia Atómica explica que esta forma de combate tem sido bem sucedida no combate a populações de insetos agrícolas ao longo das últimas décadas.
“Embora os métodos de controlo de mosquitos à base de inseticidas convencionais já terem provado ser eficazes no controlo de mosquitos, a resistência aos inseticidas está a aumentar”, avisa a IAEA, que se compromete em procurar novas formas de combate ao inseto.
Acrescenta a Agência Internacional de Energia Atómica que o SIT é “um dos métodos mais seguros e mais respeitadores do ambiente” e é atualmente aplicado em várias campanhas de controlo de mosquitos agrícolas, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Destacam-se os casos de eliminação da mosca tsé-tsé em Zanzibar e da mosca da fruta, no norte do México.
Em Seibersdorf, na Áustria, um grupo de investigadores internacionais está a estudar a aplicação da técnica SIT em casos específicos de Zika, em populações de mosquitos sob observação em laboratório. Depois de serem esterilizados com fontes radioativas, os insetos são libertados na natureza para acasalar com as fémeas selvagens. “É como se fosse planeamento familiar aplicado a insetos”, explica Jorge Hendrichs, diretor da unidade de estudo, em declarações à Agência France Presse.
Konstantinos Bourtzis, biólogo molecular da organização, admite no entanto que o uso da técnica SIT à escala industrial ainda está num estágio inicial, mas já mostra resultados encorajadores: “É como os carros na década de 1890. Funcionam, mas terão de ser submetidos a um maior desenvolvimento e refinamento”, explica o responsável.
DesafiosApenas os mosquitos fémeas Aedes aegypti picam e são responsáveis pela transmissão de doenças.
A separação entre mosquitos machos e fémeas constitui uma das grandes dificuldades técnicas dos investigadores. Entre as populações de mosquito sob análise laboratorial, existem também mosquitos fémeas em estado selvagem.
Para precaver esta situação, os investigadores estão a aperfeiçoar um método alternativo para assegurar que as fémeas acidentalmente libertadas também estejam esterilizadas.
O custo elevado deste método quando aplicado à escala industrial é outra das barreiras que as entidades de saúde pública poderão enfrentar. Os testes até agora realizados foram aplicados sobretudo em pequenas localidades e a aplicação deste modelo em grandes cidades poderá levar anos a ser concretizada, explicam os investigadores.