A decisão surge depois de ter sido afastado do governo espanhol, numa moção de censura aprovada pelo Congresso dos Deputados, na sexta-feira.
“É o melhor para mim, o melhor para o partido e o melhor para Espanha”, considerou.
Mariano Rajoy falava perante o Comité Executivo Nacional do Partido Popular espanhol, num discurso com momentos em que estava visivelmente emocionado. "Gracias", disse Rajoy, enquanto recebia uma forte ovação de pé.
Nos próximos dias vai ser criada uma Junta Diretiva Nacional para que o partido convoque um congresso extraordinário para eleger uma nova direção "que, estou seguro, enfrentará o futuro com energia e o apoio de todos”.
“Cumprirei o meu mandato até que elejam quem me suceda”, garantiu Rajoy. Até que isso aconteça não deverá haver alterações no partido nem no grupo parlamentar, nem serão nomeados candidatos a eleições. “Estarei às ordens de quem decidirem, com a lealdade que os meus 40 anos e a minha consciência exigem”.
“Obrigada por todos estes anos. Seguirei convosco. Não imagino a minha vida fora do PP”. "Tive o privilégio de ser presidente do PP durante 14 anos, os melhores da minha vida política", acrescentou.
Vinha a ser noticiado que os "barões" do partido pretendiam que fosse eleita uma nova direção para o partido, antes das eleições que se avizinham no país e perante um novo executivo, que consideram instável.
A "demolição que se anuncia"
Mariano Rajoy expôs perante o partido a sua leitura sobre a moção de censura que na passada semana destitui o governo dos populares e lançou críticas sobre o governo do PSOE. Usou palavras fortes e falou do futuro com os socialistas como "uma demolição que se anuncia". "O PP tem pessoas para recuperar o quanto antes o governo de Espanha", afirmou.
No discurso, Mariano Rajoy deixou alguns avisos. “Estamos perante um governo com uma debilidade extrema. Não sabemos qual é o programa, nem com que apoios contam. Foi apenas uma desculpa para atingirem os objetivos com uma ambição atropelada [de Pedro Sánchez], não pensaram em Espanha, nem no interesse geral”, clamou.
"[O PSOE] não pode deixar Espanha em queda livre", argumentou. "Vai governar quem perdeu. Governa o país quem sistematicamente foi rejeitado pelos espanhóis", acrescentando que não foram os espanhóis que censuraram o governo do PP, mas sim os seus adversários.
“O PSOE delapidou toda a sua herança para embarcar num projeto muito incerto e com maus companheiros de viagem”, alertou.
O até aqui líder do PP realçou o desafio independentista da Catalunha que o novo executivo enfrenta. Mariano Rajoy considerou que o seu governo poderá ter cometido erros, mas fala de resultados.
"Recebemos lições de todo o tipo, mas foi o Governo do Partido Popular que garantiu o cumprimento da lei e a unidade de Espanha", realçou.