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Rangel considera prematuro, mas "obviamente" favorável a regresso de Londres à UE

Rangel considera prematuro, mas "obviamente" favorável a regresso de Londres à UE

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou hoje que Portugal será "obviamente" favorável a um eventual regresso do Reino Unido à União Europeia, mas considera "prematuro" falar nessa hipótese, defendendo que a prioridade é aproximar Londres aos 27.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Fabrizio Bensch - Reuters

"Portugal obviamente será, com certeza, um dos defensores da linha na frente de um regresso do Reino Unido à União Europeia. Mas eu penso que, neste momento, é prematuro falarmos sobre isso", declarou o governante em Londres, após encontro com o homólogo britânico, Ed Miliband. 

Rangel entende que o caminho para uma futura "readesão" passa pelo estreitamento das relações, nomeadamente na cimeira UE-Reino Unido, marcada para 20 de novembro, em Bruxelas, na qual considera importante que haja "resultados palpáveis e visíveis". 

A reunião, que vai reunir o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá fazer o balanço dos progressos em áreas como defesa, energia ou normas agroalimentares.

"Há várias matérias em que isso é possível fazer-se, designadamente, as questões do [programa] `Made in Europe` e saber em que medida é que o Reino Unido pode vir a beneficiar também desse estatuto", referiu o chefe da diplomacia portuguesa.

Londres pretende que as empresas britânicas sejam incluídas no programa, que privilegia empresas europeias para contratos públicos e subsídios em setores estratégicos como o aço, o cimento, o alumínio e a indústria automóvel.

Apesar do apoio português, Paulo Rangel advertiu que o Reino Unido terá de cumprir "um conjunto de critérios e obrigações", não podendo haver uma escolha "a la carte" das vantagens da relação com o bloco comunitário.

"Desde que esses requisitos sejam garantidos, nós estaremos na linha da frente daqueles que defendem essa aproximação", concluiu.

Além da cimeira Reino Unido-UE, Rangel disse ter discutido no encontro com o homólogo a situação internacional, nomeadamente o apoio à Ucrânia e as interferências russas sentidas no Mar Negro, na Roménia e na Bulgária, na Lituânia e na Polónia, incluindo o caso do ataque de Leipzig.

Os dois países abordaram ainda a crise do Médio Oriente e a importância da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, no estreito de Bab el-Mandeb, no canal do Suez, no Mar Vermelho e no Mar Negro.

Estes temas contribuíram para a preparação da presidência portuguesa do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que começará em janeiro de 2027, referiu.

O ministro adiantou que Ed Miliband deverá visitar Lisboa no primeiro semestre de 2027. 

 

 

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