Mundo
Rebeldes a poucos quilómetros da capital da República Centro-Africana
Milícias rebeldes, unidas sob a bandeira Séleka (aliança em língua sango), anunciaram estar a 75 KM da capital da República Centro-Africana, Bangui, preparando-se para a conquistar. A população da capital reagiu em pânico o que forçou as forças da ONU no local a impor um recolher obrigatório. Um helicóptero das forças nacionais da República terá entretanto disparado sobre os rebeldes.
Uma fonte das forças da ONU na região afirmou que o ataque do heicóptero dispersou as colunas rebeldes detendo o seu avanço sobre a capital, informação que não pode ser confirmada.
Responsáveis da República Centro-Africana referem que os combates prosseguem na estrada que leva a Bangui.
Um porta-voz da Séléka anunciou há poucas horas que as suas tropas haviam conquistado Damara, um posto de controlo 75 KM a norte da capital e mantida pela força africana da ONU.
"Estamos às portas de Bangui. Não posso dizer onde estamos, é um segredo militar. A última barreira são os (soldados) sul-africanos", relatou Djouma Narkoyo, um dos chefes militares dos rebeldes da coligação Séléka ao telefone, a partir de Libreville, a capital do Gabão.
O porta-voz apelou a que "todos, civis e militares, se mantenham calmos enquanto esperam a chegada das nossas tropas a Bangui, para evitar combates inúteis."
O Conselho de Segurança da ONU reuniu de urgência sexta-feira à noite para avaliar a situação
Pânico em Bangui
A iminência de um ataque rebelde à capital da República Centro-Africana gerou o "pânico" na população e as Nações Unidas impuseram recolher obrigatório e jornada reduzida, disse um conselheiro político português.
Em declarações à Lusa, via telefone, a partir da capital centro-africana, Rui Flores, conselheiro político da representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a República Centro-Africana, Margaret Vogt, assegurou que, às 20:00 locais (19:00 em Lisboa), os rebeldes ainda não estavam em Bangui.
"Imediatamente antes do almoço a cidade foi tomada pelo pânico, porque as notícias do avanço dos rebeldes estavam a ser divulgadas nas rádios. (...) O pessoal do comércio fugiu todo da cidade. Os supermercados fecharam", descreveu Flores.
"A cidade está muito calma agora, não há trânsito nenhum, não há nada, está tudo fechado", contou, acrescentando que "há muito nervosismo" e que já recebeu "muitos telefonemas de amigos locais".
Avanço surpresa
As informações sobre o avanço rebelde "são contraditórias", mas não se afasta que esteja em curso, referiu Rui Flores, explicando que a Séléka, "quando ataca, vai direta às antenas dos telemóveis e corta a comunicação", o que dificulta às Nações Unidas "confirmar algumas das informações que circulam", porque não conseguem "contactar as fontes no terreno".
"A ofensiva rebelde não é surpresa, a ofensiva em direção já a Bangui é que é o fator surpresa", assinalou, referindo que alguns observadores indicam que os rebeldes não serão mais de duzentos e não terão equipamento muito pesado.
Rui Flores acredita ainda, de acordo com a Lusa, que os rebeldes pretendem aproveitar a ausência do país do Presidente François Bozizé que há dois dias viajou para a África do Sul. Bozizé já regressou contudo a Bangui.
Decretos
"De acordo com as nossas informações, os rebeldes da Séléka estão a penas a alguns quilómetros de Bangui. Apelamos a todas as partes para darem mostras de contenção e respeitarem as populações civis," declarou por seu lado o porta-voz do ministério francês dos Negócios Estrangeiros, Philippe Lalliot, a partir do Quai d'Orsay.
A República Centro-Africana é uma ex-colónia de França
No domingo os rebeldes da Sénéka haviam dado 72 horas ao poder de Bangui para respeitar os acordos de Libreville, assinados a 11 de janeiro de 2013.
Entre os pontos do acordo figuram a libertação dos presos políticos, a presença de tropas sul-africanas e ugandesas no país e a integração das forças rebeldes no exército centro africano.
Quarta-feira à noite o Presidente Bozizé assinou dois decretos sobre estas reivindicações e fez libertar "todos os prisioneiros políticos e de guerra mencionados nos acordos de Libreville," de acordo com um comunicado.
O coronel Djourma Narkoyo, uma das figuras mais importantes da rebelião, considerou estas ações insuficientes.
Milícias anti-governo
A Séléka agrupa desde 2012 três milícias anti-governamentais, a Convenção Patriótica para a Salvação do País, a Convenção dos Patriotas para a Justiça e a Paz e a União das Forças democráticas para a Unidade.
Acusam o Presidente de não ter respeitado acordos de paz assinados desde 2007e capturaram várias cidades nos últimos meses. A trégua assinada em janeiro foi agora rompida.
Na quinta-feira, os rebeldes anunciaram estarem a avançar sobre a capital, tendo atacado um posto de controlo da Força Multinacional para a África Central (FOMAC).
Além da ofensiva contra Bangui, a rebelião atacou na sexta-feira passada uma cidade de 40.000 habitantes, Bossangoa, no noroeste do país. Há relatos contraditórios sobre quem controla neste momento a cidade.
Responsáveis da República Centro-Africana referem que os combates prosseguem na estrada que leva a Bangui.
Um porta-voz da Séléka anunciou há poucas horas que as suas tropas haviam conquistado Damara, um posto de controlo 75 KM a norte da capital e mantida pela força africana da ONU.
"Estamos às portas de Bangui. Não posso dizer onde estamos, é um segredo militar. A última barreira são os (soldados) sul-africanos", relatou Djouma Narkoyo, um dos chefes militares dos rebeldes da coligação Séléka ao telefone, a partir de Libreville, a capital do Gabão.
O porta-voz apelou a que "todos, civis e militares, se mantenham calmos enquanto esperam a chegada das nossas tropas a Bangui, para evitar combates inúteis."
O Conselho de Segurança da ONU reuniu de urgência sexta-feira à noite para avaliar a situação
Pânico em Bangui
A iminência de um ataque rebelde à capital da República Centro-Africana gerou o "pânico" na população e as Nações Unidas impuseram recolher obrigatório e jornada reduzida, disse um conselheiro político português.
Em declarações à Lusa, via telefone, a partir da capital centro-africana, Rui Flores, conselheiro político da representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a República Centro-Africana, Margaret Vogt, assegurou que, às 20:00 locais (19:00 em Lisboa), os rebeldes ainda não estavam em Bangui.
"Imediatamente antes do almoço a cidade foi tomada pelo pânico, porque as notícias do avanço dos rebeldes estavam a ser divulgadas nas rádios. (...) O pessoal do comércio fugiu todo da cidade. Os supermercados fecharam", descreveu Flores.
"A cidade está muito calma agora, não há trânsito nenhum, não há nada, está tudo fechado", contou, acrescentando que "há muito nervosismo" e que já recebeu "muitos telefonemas de amigos locais".
Avanço surpresa
As informações sobre o avanço rebelde "são contraditórias", mas não se afasta que esteja em curso, referiu Rui Flores, explicando que a Séléka, "quando ataca, vai direta às antenas dos telemóveis e corta a comunicação", o que dificulta às Nações Unidas "confirmar algumas das informações que circulam", porque não conseguem "contactar as fontes no terreno".
"A ofensiva rebelde não é surpresa, a ofensiva em direção já a Bangui é que é o fator surpresa", assinalou, referindo que alguns observadores indicam que os rebeldes não serão mais de duzentos e não terão equipamento muito pesado.
Rui Flores acredita ainda, de acordo com a Lusa, que os rebeldes pretendem aproveitar a ausência do país do Presidente François Bozizé que há dois dias viajou para a África do Sul. Bozizé já regressou contudo a Bangui.
Decretos
"De acordo com as nossas informações, os rebeldes da Séléka estão a penas a alguns quilómetros de Bangui. Apelamos a todas as partes para darem mostras de contenção e respeitarem as populações civis," declarou por seu lado o porta-voz do ministério francês dos Negócios Estrangeiros, Philippe Lalliot, a partir do Quai d'Orsay.
A República Centro-Africana é uma ex-colónia de França
No domingo os rebeldes da Sénéka haviam dado 72 horas ao poder de Bangui para respeitar os acordos de Libreville, assinados a 11 de janeiro de 2013.
Entre os pontos do acordo figuram a libertação dos presos políticos, a presença de tropas sul-africanas e ugandesas no país e a integração das forças rebeldes no exército centro africano.
Quarta-feira à noite o Presidente Bozizé assinou dois decretos sobre estas reivindicações e fez libertar "todos os prisioneiros políticos e de guerra mencionados nos acordos de Libreville," de acordo com um comunicado.
O coronel Djourma Narkoyo, uma das figuras mais importantes da rebelião, considerou estas ações insuficientes.
Milícias anti-governo
A Séléka agrupa desde 2012 três milícias anti-governamentais, a Convenção Patriótica para a Salvação do País, a Convenção dos Patriotas para a Justiça e a Paz e a União das Forças democráticas para a Unidade.
Acusam o Presidente de não ter respeitado acordos de paz assinados desde 2007e capturaram várias cidades nos últimos meses. A trégua assinada em janeiro foi agora rompida.
Na quinta-feira, os rebeldes anunciaram estarem a avançar sobre a capital, tendo atacado um posto de controlo da Força Multinacional para a África Central (FOMAC).
Além da ofensiva contra Bangui, a rebelião atacou na sexta-feira passada uma cidade de 40.000 habitantes, Bossangoa, no noroeste do país. Há relatos contraditórios sobre quem controla neste momento a cidade.