Rebeldes dizem estar às portas de N´Djamena

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O exército chadiano, chefiado pelo presidente Idriss Deby Itno, posicionou-se hoje em redor de N`Djamena depois de ter tentado contrariar o avanço de uma importante coluna rebelde que afirma estar "às portas" da capital.

O comandante no terreno da força europeia no Chade e na República Centro-Africana (Eufor), o general francês Jean-Philippe Ganascia, assegurou em N`Djamena que esta ofensiva não perturbaria o envio dos 3.700 militares da operação que acaba de começar.

Saídos de uma aliança formada em Dezembro pelos três principais grupos armados chadianos, dirigidos por Mahamat Nouri, Timan Erdimi et Abdelwahid Aboud Makaye, os rebeldes entraram no Chade segunda-feira a partir do Sudão.

Desde então, a sua coluna de 300 veículos todo-o-terreno que podem transportar dez a 15 homens atravessou o país, percorrendo 700 quilómetros, evitando o exército e o confronto directo.

"Estamos às portas de N`Djamena", declarou Timan Erdimi, a coluna "dividiu-se em vários grupos ao redor da cidade".

O Exército nacional chadiano (ANT) partiu quarta-feira na direcção das posições rebeldes a cerca de 250 quilómetros de N`Djamena. O presidente Deby, que chegou ao poder pelas armas em 1990, também ele desde o Sudão, comandava-o como faz muitas vezes, antes de regressar hoje à cidade ao final da tarde.

"O ANT mudou de estratégia, voltou para formar uma cintura à volta da cidade", afirmou uma fonte militar, confirmado que os rebeldes continuaram a progredir e separaram-se em diversas colunas.

"Os rebeldes estão a 15º quilómetros de N`Djamena", indicaram fontes militares chadianas hoje à noite.

Timan Erdimi dirgiu um ultimato ao presidente Deby.

"Se até amanhã não houver negociações, haverá guerra", preveniu, reclamando a "partilha do poder" mas sem fazer da partida do chefe de Estado, que é seu tio, um ponto prévio.

Trata-se do mais importante avanço rebelde para N`Djamena desde Abril 2006, quando una coluna de menos de uma centena de veículos foi repelida às portas da cidade.

Na capital, constantemente sobrevoada por helicópteros, as ruas foram-se esvaziando progressivamente. O liceu francês continuou fechado e a embaixada de França apelou aos seus 1.500 cidadãos para limitarem as deslocações.

A ofensiva coincide com o lançamento da Eufor, que tem como missão proteger no leste do Chade e no nordeste da República Centro-Africana os refugiados sudaneses do Darfur vizinho assim como os deslocados internos chadianos e centro-africanos, cerca de 450.000 pessoas.

Em Lisboa, o conselho de ministros aprovou hoje uma resolução que autoriza as verbas necessárias à participação portuguesa na missão europeia no Chade, estimadas em 2,2 milhões de euros.

O custo da participação de Portugal, que já tinha sido divulgada, está estimado em 2.260 mil euros, refere o comunicado do conselho de ministros.

"Trata-se de uma participação na missão humanitária da União Europeia, de apoio aos refugiados do Darfur, no Chade e na República Centro Africana, associando-se Portugal com um destacamento da Força Aérea constituído por um C-130, sua tripulação e pessoal de apoio", por dois meses.

A força, comandada pela França, destina-se a proteger os refugiados do Darfur, conflito que já dura há quatro anos e provocou a morte de mais de 200 mil pessoas e 2,5 milhões de refugiados.

A missão da UE sofreu vários atrasos, devido à falta de oferta, pelos países participantes, do equipamento necessário para uma forma, estimada em 4.300 membros.

A França já tem 1.100 tropas no Chade, uma antiga colónia francesa, devendo contribuir com metade dos soldados da força europeia, com quartel-general em Paris.

A força da União Europeia deverá complementar um destacamento de 26.000 homens das Nações Unidas e da União Africana que actua na região do Darfur (Sudão).

A 25 de Setembro de 2007, o Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou a deslocação de uma força europeia, assim como polícias da ONU, para aquela região africana para protecção de milhares de refugiados e garantir que a ajuda humanitária chegue aos que dela necessitam.

Victor da Silva Ângelo, um alto funcionário português, foi nomeado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, representante especial para a Missão da ONU na República Centro-Africana e no Chade (Minurcat), anunciou segunda-feira em Nova Iorque uma porta-voz, Marie Okabe.


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