Recusa de Teerão em discutir programa de mísseis é "um grande problema" - Rubio
O secretário de Estado norte-americano referiu na quarta-feira que o Irão se recusa a discutir o seu programa de mísseis balísticos e que isso representa "um grande problema", apesar de estarem agendadas para hoje novas negociações em Genebra.
"O presidente quer soluções diplomáticas. Prefere-as, e muito. Por isso, descreveria o encontro de amanhã como nada mais do que uma série de discussões, que espero que sejam produtivas, mas, em última análise, teremos de discutir outras questões para além do programa nuclear", apontou Rubio numa conferência de imprensa em São Cristóvão e Neves, nas Caraíbas.
"É também importante lembrar que o Irão se recusa a falar connosco sobre mísseis balísticos ou com qualquer outra pessoa sobre eles, e isso é um grande problema", acrescentou.
Já o Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, admitiu na quarta-feira uma "perspetiva favorável" em relação ao diferendo com os Estados Unidos na véspera de novas discussões em Genebra centradas no programa nuclear iraniano.
Negociadores iranianos e norte-americanos deverão reunir-se hoje de novo na cidade suíça de Genebra para discutir o programa nuclear do Irão, que Teerão afirma ter fins pacíficos e o Ocidente diz destinar-se ao fabrico de armas.
As conversações ocorrem numa altura em que os Estados Unidos reuniram a maior força militar no Médio Oriente em décadas, como parte dos esforços do Presidente norte-americano, Donald Trump, para forçar o Irão a um acordo.
"Prosseguimos o processo sob a égide do Guia Supremo [Ali Khamenei], de forma a sair desta situação de `nem guerra nem paz`", afirmou Pezeshkian.
Na quarta-feira, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, estava já a caminho de Genebra, segundo a TV estatal em Teerão.
O enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, deverão participar nas conversações, segundo a imprensa norte-americana.
Durante o discurso sobre o estado da União no Congresso, na terça-feira, Trump insistiu que não vai permitir que o Irão venha a ter armamento nuclear.
O Irão "já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases militares" e está "a trabalhar para construir mísseis que em breve poderão atingir os Estados Unidos", declarou o Presidente norte-americano.
Trump tem ameaçado atacar o Irão, mas na semana passada deu um prazo até ao fim do mês para a situação no Irão "se esclarecer".
O Presidente dos Estados Unidos começou por justificar um possível ataque com a repressão dos protestos no Irão, que voltaram a eclodir nos últimos dias.
O programa iraniano sofreu um duro golpe com os bombardeamentos israelitas e norte-americanos em junho de 2025, que causaram mais de 1.100 mortos no país asiático, incluindo vários cientistas, e destruíram infraestruturas nucleares.
Rubio argumentou ainda na quarta-feira que "após a destruição do seu programa nuclear" foi pedido a Teerão, sem sucesso, "que não tentassem reiniciá-lo".
"Mas vejam onde estão hoje. Vemos que estão constantemente a tentar reconstruir certos elementos do programa. Não estão a enriquecer urânio neste momento, mas estão a tentar chegar ao ponto em que o possam eventualmente fazer", apontou.
O Irão assinou um acordo nuclear com a comunidade internacional em 2015, mas ficou sem efeito depois de o próprio Trump ter retirado unilateralmente os Estados Unidos do tratado em 2018, durante o seu primeiro mandato (2017-2021).
Os dois países retomaram o diálogo em 06 de fevereiro através da mediação do sultanato de Omã.
As conversações anteriores foram interrompidas abruptamente pela guerra de 12 dias desencadeada em junho de 2025 por um ataque israelita, ao qual Washington se juntou bombardeando instalações nucleares iranianas.