Reduzido número de estomatologistas em Angola dificulta assistência médica dentária

A assistência médica dentária em Angola é muito deficitária devido ao reduzido número de médicos estomatologistas que assistem uma população estimada em mais de 12 milhões de pessoas, admitiu hoje o Bastonário da Ordem dos Médicos, João Bastos.

Agência LUSA /

"Não temos um número exacto dos especialistas em estomatologia existentes em Angola, mas seguramente não são mais de meia centena em todo o país", revelou João Bastos, em declarações à Agência Lusa.

Para a Associação Nacional dos Técnicos de Estomatologia de Angola (ANTEA) a situação ainda é mais grave, já que, segundo esta instituição, o número de médicos estomatologistas existentes no país é mais reduzido.

"O país apenas possui 22 médicos estomatologistas para um universo de cerca de 12 milhões de habitantes", afirmou à Lusa Avelino Cachilandala, vice-presidente da ANTEA.

Segundo Cachilandala, a maioria destes médicos estomatologistas formou-se nos países da Europa de Leste, lamentando que a Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, estatal, "nunca tenha formado especialistas em estomatologia".

O vice-presidente da ANTEA admitiu, no entanto, que a situação poderá melhorar dentro de dois anos, quando terminar o primeiro curso superior de estomatologia que está a ser ministrado no Instituto Superior Privado de Angola (ISPRA).

"Dentro de dois anos termos técnicos superiores formados em estomatologia", frisou Avelino Cachilandala.

Enquanto os técnicos superiores não terminam a formação e perante a carência de médicos desta especialidade, a assistência ao nível da saúde dentária em Angola conta com o desempenho de "mais de duas centenas" de técnicos básicos de estomatologia, que estão distribuídos por todas as províncias angolanas.

Para estes técnicos básicos, o Ministério da Saúde tem previsto para breve o início de cursos de formação de nível médio que permitirão melhorar as suas qualificações profissionais.

"O ministério está preocupado com a falta de quadros na área da estomatologia e a realização de cursos de formação é a melhor forma de minimizar alguns problemas", salientou Cachilandala, que assegurou o empenhamento da ANTEA na formação destes técnicos tendo em vista "melhorar a assistência dentária no país".

O vice-presidente da ANTEA defendeu, por outro lado, a necessidade do governo promover campanhas de sensibilização da população para a importância da higiene oral, alertando para a importância das consultas regulares ao dentista como forma de prevenção.


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