Reduzir emissões de dióxido de carbono ajuda a combater o aquecimento global
Os processos mais comuns de produção de energia, através do carvão ou petróleo, libertam para a atmosfera enormes quantidades de CO2, a causa mais grave das alterações climáticas. Uma solução é guardar este gás em jazidas subterrâneas.
"Se pegar no meu capacete, procuramos formações com este aspecto, como este capacete em que o plástico é uma camada impermeável, talvez de argila, e no interior haverá o arenito, o arenito cheio de água. E depois perfuramos a rocha e armazenamos o CO2 sob esta camada impermeável ao gás."
Uma vez que o dióxido de carbono é produzido pela queima de hidrocarbonetos retirados do subsolo, o sequestro do gás é encarado como uma espécie de reciclagem, diz Sergio Persoglia, do Instituto Italiano de Oceanografia e Geofísica Experimental.
"Recolocar o CO2 no local de onde veio, no subsolo, onde estavam os hidrocarbonetos,é de certo modo um processo natural. É um processo de reciclagem natural, por forma a evitar alterar os ciclos de anidrido carbónico na atmosfera."
O CO2 é capturado à saída das chaminés de combustão e é conduzido até ao local de sequestro. Em diversos pontos da Europa estudam-se localizações possíveis para sequestrar dióxido de carbono.
Por exemplo, Latera, no centro de Itália, não serve. O solo é demasiado poroso e permite a libertação de CO2 de um vulcão extinto. Mas este local é um óptimo laboratório natural, como diz Salvatore Lombardi, professor da Universidade La Sapienza, de Roma.
"É importante estudar esta zona, em termos de armazenamento do CO2, pois fornece-nos uma série de informações sobre a migração do gás, o impacto de uma eventual fuga de gás do local onde armazenámos o CO2 no ambiente à superfície e sobre a possibilidade de intervir, eventualmente, em caso de fuga."
Os especialistas estimam uma capacidade de sequestro de carbono com esta técnica na Europa para os próximos 80 a 100 anos. Por isso não é uma solução definitiva.
"Se estes locais porosos estiverem cheios, teremos de deixar de utilizar esta técnica", disse Fabian Möller. "Daí que digamos que não é a solução para o problema, mas sim uma ponte para o futuro. Estamos a comprar algum tempo."
A esperança é que esse tempo seja suficiente para as tecnologias das energias renováveis ganharem maturidade.