Reduzir emissões de dióxido de carbono ajuda a combater o aquecimento global

Os processos mais comuns de produção de energia, através do carvão ou petróleo, libertam para a atmosfera enormes quantidades de CO2, a causa mais grave das alterações climáticas. Uma solução é guardar este gás em jazidas subterrâneas.

Vasco Matos Trigo, RTP /

As energias renováveis actualmente disponíveis não chegam para as necessidades. Por isso, a produção de energia continuará a produzir também CO2, dióxido de carbono. Mas o gás CO2 é um dos principais responsáveis pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas. Uma forma de reduzir as emissões de CO2 é sequestrá-lo no subsolo, por exemplo na bacia carbonífera do Douro, em Portugal, ou em camadas arenosas, como explica Fabian Möller, engenheiro numa instalação no norte da Alemanha.

"Se pegar no meu capacete, procuramos formações com este aspecto, como este capacete em que o plástico é uma camada impermeável, talvez de argila, e no interior haverá o arenito, o arenito cheio de água. E depois perfuramos a rocha e armazenamos o CO2 sob esta camada impermeável ao gás."

Uma vez que o dióxido de carbono é produzido pela queima de hidrocarbonetos retirados do subsolo, o sequestro do gás é encarado como uma espécie de reciclagem, diz Sergio Persoglia, do Instituto Italiano de Oceanografia e Geofísica Experimental.

"Recolocar o CO2 no local de onde veio, no subsolo, onde estavam os hidrocarbonetos,é de certo modo um processo natural. É um processo de reciclagem natural, por forma a evitar alterar os ciclos de anidrido carbónico na atmosfera."

O CO2 é capturado à saída das chaminés de combustão e é conduzido até ao local de sequestro. Em diversos pontos da Europa estudam-se localizações possíveis para sequestrar dióxido de carbono.

Por exemplo, Latera, no centro de Itália, não serve. O solo é demasiado poroso e permite a libertação de CO2 de um vulcão extinto. Mas este local é um óptimo laboratório natural, como diz Salvatore Lombardi, professor da Universidade La Sapienza, de Roma.

"É importante estudar esta zona, em termos de armazenamento do CO2, pois fornece-nos uma série de informações sobre a migração do gás, o impacto de uma eventual fuga de gás do local onde armazenámos o CO2 no ambiente à superfície e sobre a possibilidade de intervir, eventualmente, em caso de fuga."

Os especialistas estimam uma capacidade de sequestro de carbono com esta técnica na Europa para os próximos 80 a 100 anos. Por isso não é uma solução definitiva.

"Se estes locais porosos estiverem cheios, teremos de deixar de utilizar esta técnica", disse Fabian Möller. "Daí que digamos que não é a solução para o problema, mas sim uma ponte para o futuro. Estamos a comprar algum tempo."

A esperança é que esse tempo seja suficiente para as tecnologias das energias renováveis ganharem maturidade.

 

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