Reféns no Afeganistão em perigo se houver recurso à força, advertem sequestradores
Os três funcionários estrangeiros da ONU raptados quinta-feira em Cabul estão vivos, mas a sua vida correrá perigo se for usada força para tentar libertá-los, advertiu hoje um porta-voz dos sequestradores.
"O nosso grupo capturou os três infiéis estrangeiros e guarda-os em lugar seguro. Até agora estão em segurança", disse Mullah Mohammad Ishaq, que se apresentou como porta-voz do Jaish-e-Muslim, "Exército dos muçulmanos", o grupo que reivindicou o triplo rapto.
"Se forem destacadas forças contra nós para os libertar, essas forças serão responsáveis se a vida dos reféns ficar em perigo", avisou.
Duas mulheres - uma anglo-irlandesa e uma kosovar - e um filipino, os três empregados da ONU no seio da comissão eleitoral encarregada de organizar a eleição presidencial do passado dia 9 no Afeganistão, foram raptados quinta-feira em Cabul por homens armados.
Até ao momento, o grupo sequestrador não deu a conhecer quaisquer reivindicações.
Segundo o porta-voz, os três reféns estão no Afeganistão, em lugar que se escusou a precisar.
Disse ainda Ishaq que era intenção do Jaish-e-Muslim raptar 25 estrangeiros empregados na Comissão eleitoral da ONU para ajudar a organizar "eleições falseadas" e manter no seu posto o presidente afegão, Hamid Karzai.
"Visávamos 25 pessoas mas acabámos por raptar apenas três. Todas elas vieram para apoiar as forças infiéis", disse, acrescentando que o grupo está determinado a prosseguir a "jihad (guerra santa) contra os infiéis e a levar a cabo novas acções".