Mundo
Regime sírio “pronto para usar armas químicas”
O Presidente sírio, Bashar al-Assad, não hesitará em usar armas químicas contra as forças de oposição e pode até já as ter implantado em locais estratégicos, garantiu à BBC Nawaf Fares, o primeiro embaixador sírio a desertar após o início da revolução popular contra o regime. Depois de os rebeldes conseguirem levar a guerra civil ao centro da capital, Damasco, Kofi Annan foi enviado à Rússia e Ban Ki-moon à China, no sentido de desbloquearem o veto dos dois países à intervenção da ONU na Síria.
Nawaf Fares, o político mais proeminente a desertar da Síria desde o início da revolta contra Bashar al-Assad, alertou que o regime estará preparado “para erradicar todo o povo sírio” com vista a permanecer no poder. Depois de em entrevista à Al Jazeera ter garantido que “o regime sírio está morto”, insistiu, esta segunda-feira, ouvido pela BBC News, que o presidente tem os dias contados.
Fares anunciou a sua deserção a 11 de julho, sendo até então visto como uma das principais figuras do regime. A sua decisão de romper as relações com Bashar al-Assad foi vista com desconfiança pelos ativistas rebeldes. Alguns dizem que está a ser preparado pelos governos do Ocidente a fim de assumir a liderança de um provável governo de transição, assim que o regime caia.
Passando a ideia de que Assad sairá morto desta revolta, Fares descreve o líder do Governo como "um lobo ferido e encurralado". "Não ocorre a nenhum sírio, não só a mim, que Bashar al-Assad vá desistir do poder por meio de intervenções políticas. Só será expulso pela força", garantiu, acrescentando que esse resultado é agora "inevitável".
"Estou convencido de que se o regime de Bashar al-Assad for ainda mais encurralado pelo povo ele não hesitará em usar armas químicas”, disse o antigo embaixador da Síria no Iraque, agora refugiado no Qatar, na entrevista a Frank Gardner, da BBC. “Há informação - não confirmada, claro – de que já foram usadas armas químicas em parte da cidade de Homs”, acrescentou.
A Síria é conhecida por ter um significativo stock de armas químicas, o que tem levantado problemas nas relações diplomáticas com os países vizinhos e os governos ocidentais.A Síria não é membro da Convenção das Armas Químicas - um acordo assinado em 1993 que obrigou os Estados-membros a destruir os stocks existentes de armas químicas no prazo de dez anos e que proibiu o seu desenvolvimento, produção, armazenamento, venda e uso no futuro.
Mas as acusações e os alertas não ficaram por aí. Fares garante que há bombardeamentos atribuídos aos rebeldes que foram orquestrados pelo regime em colaboração com a Al Qaeda. “Há provas suficientes na história que muitos inimigos se aliam quando os seus interesses coincidem”, disse o político sírio, questionado sobre a sua visão sobre a intervenção da célula terrorista no seu país.
"A Al Qaeda está à procura de espaço para se mover e de apoio. O regime procura maneiras de aterrorizar o povo sírio", explicou o antigo dirigente do Partido Baas.
Chegada da guerra a Damasco
Os rebeldes dispararam granadas sobre os tanques e as tropas do regime que tentavam armar um cerco de segurança em torno dos bairros centrais de Damasco, capital da Síria. Desde segunda-feira que os conflitos entre o Governo e as forças da oposição naquela cidade são permanentes e considerados os mais violentos e organizados desde o início da revolta, há quase ano e meio.
As forças da oposição ao regime falam em mais de 17 mil mortos desde o início da revolução em março de 2011. O Governo diz que perdeu mais de quatro mil agentes de segurança e recusa-se a fornecer números sobre baixas civis.
A ONU diz que o número de refugiados sírios quase triplicou desde abril, para um total aproximado de 112 mil pessoas. A agência de refugiados das Nações Unidas diz que três quartos dos refugiados são mulheres e crianças e a maioria está em campos no Iraque, na Jordânia, no Líbano e na Turquia.“Sem dúvida, é a única coisa de que se fala hoje”, informou Noor Bitar, um ativista residente em Damasco numa conversa via Skype com a Associated Press. “Os sons de guerra são claros em toda a cidade. Os membros do Governo estão a ser expulsos dos seus edifícios.”
Ativistas dos Direitos Humanos dizem que as forças do Governo de Assad dispararam metralhadoras pesadas a partir de helicópteros contra o povo rebelde nos confrontos na capital durante a noite, varrendo os bairros de Qadam e Hajar al-Aswad.
À medida que a guerra civil se intensifica e que mais pessoas são vítimas da violência dos confrontos, crescem as pressões no sentido de uma intervenção da comunidade internacional.
O enviado da ONU e da Liga Árabe pela paz na Síria, Kofi Annan, está na Rússia em conversações com o Presidente Vladimir Putin e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, com o objetivo de desbloquear o veto de Moscovo à intervenção militar no país. Mas Lavrov declarou, esta segunda-feira, que as Nações Unidas estão a tentar condicionar uma nova resolução no Conselho de Segurança com "elementos de chantagem".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, desloca-se esta terça-feira a Pequim para iniciar as conversações com os dirigentes chineses, visto que a China se juntou à Rússia no veto às sanções ao regime de Assad e à intervenção militar no seu território.
"Ele [Bashar-al-Assad] carrega os genes de um ditador. O seu pai matou pessoas há 30 anos atrás. Aqueles que lidam com ele sabem que é um mentiroso", disse Nawaf Fares à Al Jazeera.Na opinião de Nawaf Fares, um acordo com a Rússia “é impossível”. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, deixou ontem declarações no mesmo sentido. "Os russos são muito claros - não querem dar qualquer abertura para o uso da força", disse Clinton.
Fares não acredita no plano de paz de seis pontos de Kofi Annan: “Vários meses passaram e o regime não implementou um único artigo do plano", salientou.
Fares anunciou a sua deserção a 11 de julho, sendo até então visto como uma das principais figuras do regime. A sua decisão de romper as relações com Bashar al-Assad foi vista com desconfiança pelos ativistas rebeldes. Alguns dizem que está a ser preparado pelos governos do Ocidente a fim de assumir a liderança de um provável governo de transição, assim que o regime caia.
Passando a ideia de que Assad sairá morto desta revolta, Fares descreve o líder do Governo como "um lobo ferido e encurralado". "Não ocorre a nenhum sírio, não só a mim, que Bashar al-Assad vá desistir do poder por meio de intervenções políticas. Só será expulso pela força", garantiu, acrescentando que esse resultado é agora "inevitável".
"Estou convencido de que se o regime de Bashar al-Assad for ainda mais encurralado pelo povo ele não hesitará em usar armas químicas”, disse o antigo embaixador da Síria no Iraque, agora refugiado no Qatar, na entrevista a Frank Gardner, da BBC. “Há informação - não confirmada, claro – de que já foram usadas armas químicas em parte da cidade de Homs”, acrescentou.
A Síria é conhecida por ter um significativo stock de armas químicas, o que tem levantado problemas nas relações diplomáticas com os países vizinhos e os governos ocidentais.A Síria não é membro da Convenção das Armas Químicas - um acordo assinado em 1993 que obrigou os Estados-membros a destruir os stocks existentes de armas químicas no prazo de dez anos e que proibiu o seu desenvolvimento, produção, armazenamento, venda e uso no futuro.
Mas as acusações e os alertas não ficaram por aí. Fares garante que há bombardeamentos atribuídos aos rebeldes que foram orquestrados pelo regime em colaboração com a Al Qaeda. “Há provas suficientes na história que muitos inimigos se aliam quando os seus interesses coincidem”, disse o político sírio, questionado sobre a sua visão sobre a intervenção da célula terrorista no seu país.
"A Al Qaeda está à procura de espaço para se mover e de apoio. O regime procura maneiras de aterrorizar o povo sírio", explicou o antigo dirigente do Partido Baas.
Chegada da guerra a Damasco
Os rebeldes dispararam granadas sobre os tanques e as tropas do regime que tentavam armar um cerco de segurança em torno dos bairros centrais de Damasco, capital da Síria. Desde segunda-feira que os conflitos entre o Governo e as forças da oposição naquela cidade são permanentes e considerados os mais violentos e organizados desde o início da revolta, há quase ano e meio.
As forças da oposição ao regime falam em mais de 17 mil mortos desde o início da revolução em março de 2011. O Governo diz que perdeu mais de quatro mil agentes de segurança e recusa-se a fornecer números sobre baixas civis.
A ONU diz que o número de refugiados sírios quase triplicou desde abril, para um total aproximado de 112 mil pessoas. A agência de refugiados das Nações Unidas diz que três quartos dos refugiados são mulheres e crianças e a maioria está em campos no Iraque, na Jordânia, no Líbano e na Turquia.“Sem dúvida, é a única coisa de que se fala hoje”, informou Noor Bitar, um ativista residente em Damasco numa conversa via Skype com a Associated Press. “Os sons de guerra são claros em toda a cidade. Os membros do Governo estão a ser expulsos dos seus edifícios.”
Ativistas dos Direitos Humanos dizem que as forças do Governo de Assad dispararam metralhadoras pesadas a partir de helicópteros contra o povo rebelde nos confrontos na capital durante a noite, varrendo os bairros de Qadam e Hajar al-Aswad.
À medida que a guerra civil se intensifica e que mais pessoas são vítimas da violência dos confrontos, crescem as pressões no sentido de uma intervenção da comunidade internacional.
O enviado da ONU e da Liga Árabe pela paz na Síria, Kofi Annan, está na Rússia em conversações com o Presidente Vladimir Putin e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, com o objetivo de desbloquear o veto de Moscovo à intervenção militar no país. Mas Lavrov declarou, esta segunda-feira, que as Nações Unidas estão a tentar condicionar uma nova resolução no Conselho de Segurança com "elementos de chantagem".
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, desloca-se esta terça-feira a Pequim para iniciar as conversações com os dirigentes chineses, visto que a China se juntou à Rússia no veto às sanções ao regime de Assad e à intervenção militar no seu território.
"Ele [Bashar-al-Assad] carrega os genes de um ditador. O seu pai matou pessoas há 30 anos atrás. Aqueles que lidam com ele sabem que é um mentiroso", disse Nawaf Fares à Al Jazeera.Na opinião de Nawaf Fares, um acordo com a Rússia “é impossível”. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, deixou ontem declarações no mesmo sentido. "Os russos são muito claros - não querem dar qualquer abertura para o uso da força", disse Clinton.
Fares não acredita no plano de paz de seis pontos de Kofi Annan: “Vários meses passaram e o regime não implementou um único artigo do plano", salientou.