Reino Unido. Acusações de violação, sexismo e assédio contra o Ministério da Defesa

O Ministério da Defesa do Reino Unido (MoD, na sigla em inglês) foi acusado por 60 das suas funcionárias seniores de permitir o desenvolvimento de um ambiente "hostil" e "tóxico" e de assédio moral e sexual às mulheres por parte dos colegas do sexo masculino no local de trabalho, revelou na quinta-feira o jornal The Guardian.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Ministro britânico da Defesa, Grant Shapps, ao lado da princesa Ana da Grã-Bretanha durante um Serviço Nacional de Memória no Cenotáfio em Westminster, a 12 de novembro Hannah McKay - Reuters

É a mais recente organização pública britânica a ser alvo deste tipo de acusações, depois de nos últimos anos também o Parlamento e a Polícia Metropolitana de Londres, conhecida por MET, terem sido acusados de permitir o desenvolvimento de uma cultura sexista e atos de assédio moral e sexual contra as suas funcionárias. O "trabalho quotidiano é dificultado por comportamentos que seriam considerados tóxicos e inapropriados na vida pública, mas que são tolerados no ministério da Defesa", denunciam as funcionárias do MoD.

Em carta enviada aos superiores no mês passado e revelada pelo jornal britânico The Guardian, um grupo de 60 mulheres funcionárias do Ministério britânico da Defesa denunciaram o comportamento “tóxico” e "hostil" generalizado que se vive atualmente naquele Ministério, expondo a compilação de várias queixas de violações, agressões e assédio moral e sexual em todas as forças.

"Estamos sujeitas a linguagem desdenhosa, atenção indesejada e assédio sexual, incluindo olhares intrusivos, comentários sexuais e observações incessantes sobre a nossa roupa, o nosso aspeto ou o nosso perfume", descrevem na carta.

Segundo as dezenas de funcionárias do Ministério britânico da Defesa, os casos apresentados não são antigos e, apesar das queixas, afirmam que têm "geralmente sido menosprezadas em vez de ouvidas", acusando o sistema de denúncia de não "ser adequado ao seu objetivo".

Na sequência da publicação da reportagem do Guardian, o Ministério da Defesa do Reino Unido prometeu esta sexta-feira em comunicado tomar medidas face às alegações das funcionárias de um ambiente "hostil" e "tóxico" experenciado no local de trabalho."Estamos a tomar medidas para resolver as questões profundamente preocupantes que foram levantadas", declarou o MoD. "Nenhuma mulher deve sentir-se insegura na Defesa e este comportamento não será tolerado", acrescentou.

Num comunicado de imprensa, divulgado na rede social X, o sindicato FDA Union, que representa os altos funcionários públicos britânicos, considerou os relatos "profundamente preocupantes" e apelou a "uma investigação imediata destas alegações" por parte do Ministério da Defesa e a uma reunião urgente com o departamento.


"Os relatos das experiências destas mulheres são profundamente perturbadores. Toda a gente tem o direito de ser tratada com dignidade e respeito no local de trabalho", escreveu o sindicato na rede social X.

c/ AFP
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