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Reino Unido aumenta exigências para imigrantes obterem residência permanente

Reino Unido aumenta exigências para imigrantes obterem residência permanente

O Governo britânico anunciou esta segunda-feira que vai aumentar as exigências para imigrantes legais obterem residência permanente no Reino Unido, incluindo ter um emprego, pagar contribuições para a segurança social e falar inglês fluentemente.

Lusa /
Jack Taylor - Reuters

"Sem controlos [para imigrantes], não conseguiremos ter as condições para que o nosso país seja aberto, tolerante e generoso", declarou a secretária do Interior, Shabana Mahmood, na conferência anual do Partido Trabalhista (esquerda).

Os imigrantes, adiantou, "devem conquistar o direito de se estabelecerem neste país para sempre".

De acordo com o plano do governo, citado pela AFP, para obter residência permanente imigrantes legais terão de ter um emprego, não ter antecedentes criminais, pagar contribuições para a segurança social, falar inglês fluentemente, não receber prestações sociais, entre outros requisitos.

Atualmente, imigrantes que trabalharam durante cinco anos podem solicitar a residência permanente no Reino Unido, adquirindo direito de residência, de trabalho e de receber prestações sociais.

A proposta foi apresentada no congresso anual do Partido Trabalhista em curso em Liverpool (norte), poucos dias depois de o partido Reform UK (extrema-direita), que lidera as sondagens no país, ter prometido abolir a residência permanente caso chegue ao poder. 

O partido de Nigel Farage quer exigir que os migrantes --- incluindo os já legalizados --- solicitem um visto a cada cinco anos. 

O Reform UK ultrapassou os trabalhistas em 12 pontos percentuais numa sondagem da Ipsos publicada no domingo, capitalizando a rejeição da imigração por parte de muitos britânicos.

Starmer tem a mais baixa taxa de aprovação - 13% - para um primeiro-ministro britânico desde 1977, segundo o mesmo estudo de opinião.

Pressionado pela queda nas sondagens e críticas internas, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, prometeu lutar no domingo contra o Reform UK, que acusou de "querer dilacerar" o país.

Com as próximas eleições gerais marcadas para 2029, Starmer qualificou de "racista" e "imoral" o plano do partido de Nigel Farage de substituir por vistos a autorização de residência permanente de imigrantes não europeus.

O primeiro-ministro falará na terça-feira aos trabalhistas, quando completa 15 meses no poder e acumula reveses: a economia está a abrandar, o desemprego atingiu o seu nível mais elevado em quatro anos, a imigração ilegal está a bater recordes, a inflação continua a ser mais elevada do que no resto da Europa.

Nas últimas semanas, o líder trabalhista enfrentou a demissão da sua vice-primeira-ministra, Angela Rayner, devido a um escândalo fiscal, a saída de vários conselheiros e a demissão de seu embaixador nos Estados Unidos, Peter Mandelson, envolvido em ligações com o criminoso sexual e financeiro norte-americano Jeffrey Epstein.

O arranque do congresso ficou marcado por protestos a favor do grupo proibido pró-palestiniano Palestine Action e contra a implementação de um bilhete de identidade digital, que será necessário para candidaturas de emprego, numa primeira fase, e, mais tarde, para arrendar habitação.

Starmer disse que o cartão, que não será obrigatório transportar nem poderá ser exigido de forma arbitrária, é essencial para combater a imigração ilegal, mas os críticos veem o documento como uma interferência excessiva do Estado. 

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