Reino Unido considera "lamentável" que UE designe Falkland por nome usado pela Argentina

O Governo britânico considerou hoje que a União Europeia (UE) cometeu uma "lamentável troca de palavras" quando se referiu às ilhas Falkland, sob soberania britânica, como Malvinas, o nome utilizado pela Argentina.

Lusa /

Uma declaração da cimeira de terça-feira UE-América Latina referia-se ao arquipélago como "ilhas Malvinas/ilhas Falkland". A designação foi encarada como um triunfo da Argentina, que há muito reivindica estas ilhas do Atlântico sul.

Diversos setores no Reino Unido consideraram esta designação como uma afronta ao país, que deixou a UE em 2020 e não esteve presente na cimeira.

Max Blain, porta-voz do primeiro-ministro Rishi Sunak, disse que os responsáveis da UE "já clarificaram a sua posição".

O mesmo responsável disse que "seria totalmente inaceitável para a UE questionar o direito dos habitantes das ilhas Falkland de decidirem o seu próprio futuro".

"Para ser claro, as ilhas Falkland são britânicas, o que foi a própria escolha dos seus habitantes. A UE esclareceu agora que a sua posição sobre as ilhas Falkland não foi alterada após a sua lamentável escolha de palavras", adiantou Blain.

"É incorreta qualquer sugestão de que os Estados da UE vão reconhecer as reivindicações argentinas sobre as Falkland, e que agora clarificaram", acrescentou.

A Argentina há muito que reivindica a soberania das ilhas, situadas a cerca de 450 quilómetros das costas argentinas e com uma população de 3.500 pessoas.

A Argentina argumenta que as ilhas foram ilegalmente ocupadas em 1833. O Reino Unido, cuja reivindicação territorial remonta a 1765, enviou um navio de guerra em direção às ilhas em 1833 para expulsar as forças argentinas que pretendiam estabelecer a soberania no território.

A Argentina invadiu as ilhas em 1982, originando uma guerra de dois meses que o Reino Unido venceu, com um balanço de 649 militares argentinos e 255 militares britânicos mortos, para além de três habitantes locais.

Em 2013, os habitantes do arquipélago votaram por larga maioria pela permanência do território no Reino Unido.

Tópicos
PUB