Reino Unido retira pessoal diplomático face à possibilidade de ataque

Reino Unido retira pessoal diplomático face à possibilidade de ataque

O Reino Unido retirou todos os funcionários diplomáticos do Irão devido à "situação de segurança", anunciou hoje o Governo britânico, juntando-se a outros países que tomaram medidas semelhantes.

Lusa /
Majid Asgaripour/WANA via Reuters

A embaixada do Reino Unido em Teerão vai continuar a operar, mas de forma remota, segundo um comunicado do Foreign Office, nome por que é conhecido o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico.

O anúncio coincide com a chegada à costa israelita do porta-aviões norte-americano "Gerald R. Ford", o maior do mundo, como parte do destacamento militar dos Estados Unidos no Médio Oriente face a um possível ataque ao Irão.

Outros países retiraram também os nacionais do Irão nas últimas horas.

O Foreign Office desaconselhou ainda os cidadãos britânicos de viajarem para o Irão em qualquer circunstância.

"Os britânicos e os cidadãos com dupla nacionalidade britânico-iraniana expõem-se a um risco muito elevado de detenção, interrogatório ou prisão", alertou o ministério num comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Avisou também que o seguro de viagem poderá ser invalidado e a assistência consular presencial será inexistente para quem ignorar os avisos de saída do Irão.

"O Governo não poderá ajudá-lo se se encontrar em dificuldades no Irão", advertiu o Foreign Office, sublinhando a impossibilidade de prestar apoio direto em caso de emergência.

Também hoje, a embaixada da China em Teerão apelou aos seus cidadãos para abandonarem o país "o mais rapidamente possível".

A embaixada ofereceu assistência para a recolocação em voos comerciais ou rotas terrestres.

Os Estados Unidos, que não têm embaixada em Teerão, autorizaram hoje a saída do pessoal não essencial e respetivos familiares da representação diplomática em Israel, devido a "riscos de segurança".

A administração do Presidente Donald Trump reuniu o maior dispositivo militar dos Estados Unidos no Médio Oriente desde 2003, e a chegada à região do porta-aviões aumentou os receios da iminência de um ataque.

Teerão e Washington mantiveram na quinta-feira, em Genebra, uma terceira ronda de conversações, da qual o Governo iraniano considerou terem resultado "bons avanços".

Os Estados Unidos ainda não se pronunciaram sobre as conversações.

O mediador do diálogo, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr bin Hamad al-Busaidi, afirmou que foi alcançado um "progresso significativo".

As partes agendaram um novo encontro para segunda-feira em Viena, sede da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, reconheceu que, embora as posições se tenham aproximado em vários pontos, "ainda existem diferenças".

Washington exige o fim do enriquecimento de urânio e a limitação do alcance dos mísseis iranianos, pontos que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no programa atómico em troca do levantamento das sanções.

Nas ruas de Teerão, o cenário de guerra é encarado com uma mistura de cautela e resignação, segundo a EFE.

"Vivemos com a ameaça de um ataque há semanas. Se acontecer, aconteceu", afirmou à agência espanhola um professor universitário sob a condição de não ser identificado, recordando que o país "sobreviveu à guerra com o Iraque" (1980-88).

Contudo, parte da população tem vindo a acumular alimentos, lanternas e dinheiro vivo.

"Há quem pense que uma guerra provocará a queda da República Islâmica, mas olhem para o Afeganistão, Iraque ou Líbia. Estas coisas não correm bem", alertou uma iraniana que trabalha para uma organização internacional.

No plano oficial, o tom permanece desafiador: o clérigo Ahmad Khatami, que liderou as orações de hoje na Universidade de Teerão, descreveu Trump como um "faraó contemporâneo".

Khatami assegurou que o Irão "nunca aceitará a suspensão do enriquecimento de urânio", tal como exige o Ocidente, que acusa Teerão de pretender dotar-se de armas nucleares.

O Irão nega tais intentos e defende o direito de usar o nuclear para fins civis.

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