Reino Unido sanciona organizadores de eleições russas em regiões anexadas
O Reino Unido anunciou hoje sanções contra os organizadores da recente "farsa eleitoral" russa nos territórios ucranianos que Moscovo anexou ilegalmente há um ano.
"Não podemos realizar eleições no país de outros", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, James Cleverly, em comunicado, denunciando a "farsa eleitoral" organizada pela Rússia para "tentar legitimar o seu controlo ilegal sobre o território soberano ucraniano".
Entre os onze novos alvos das sanções britânicas -- restrições financeiras e de viagens -- estão a Comissão Eleitoral Central Russa (CEC), uma das suas principais responsáveis, Natalia Boudarina, bem como Andrei Alekseyenko, chefe da administração russa, e a chefe da comissão eleitoral da região de Kherson, Marina Zakharova.
Alguns dos visados, incluindo o CEC, também foram sancionados por outros aliados de Kiev.
"O Reino Unido nunca reconhecerá as reivindicações da Rússia sobre o território ucraniano", acrescentou Cleverly, elencando as regiões de Zaporijia, Kherson, Donetsk e Lugansk, bem como a Crimeia, cuja anexação foi anunciada por Moscovo em 2014.
Apesar das fortes condenações do Ocidente, a Rússia proclamou em setembro de 2022 a anexação dos quatro territórios ucranianos que controla apenas parcialmente - Zaporijia, Kherson, Donetsk e Lugansk -, na sequência de referendos não reconhecidos pela comunidade internacional.
No início do mês, as quatro regiões e a Crimeia foram integradas nas eleições regionais russas, que também não foram reconhecidas nem sujeitas a observação eleitoral independente.
Kiev denunciou as eleições nas regiões ocupadas como ilegais por violarem a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, e avisou que "não terão quaisquer consequências jurídicas".
Os combates ainda prosseguem naqueles territórios e o exército ucraniano lançou uma contraofensiva em junho que ainda prossegue com confrontos intensos e avanços lentos das forças de Kiev.
As novas sanções britânicas surgem da véspera da comemoração na Rússia declarada pelo presidente russo, Vladimir Putin, para celebrar o primeiro aniversário destas "supostas anexações", segundo a diplomacia britânica.
Desde a invasão russa da Ucrânia, o Reino Unido sancionou mais de 1.600 pessoas e entidades, incluindo 29 bancos.
De acordo com fontes ocidentais, o impacto cumulativo das sanções está a ter um efeito cada vez mais penalizador sobre a Rússia, visível no declínio do seu PIB e no disparo das suas despesas militares.
Segundo algumas estimativas, todas as sanções tomadas contra Moscovo, incluindo o preço máximo aplicado ao petróleo russo, privaram a Rússia de cerca de 400 mil milhões de dólares (378 mil milhões de euros) em receitas, que poderiam ter sido utilizadas para financiar a guerra.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou, de acordo com os mais recentes dados da ONU, a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.