Reino Unido sob pressão para juntar-se a força marítima dos EUA contra Irão

por RTP
Simon Dawson - Reuters

O atual ministro britânico dos Negócios Estrangeiros estará sob pressão para se juntar aos planos dos Estados Unidos relativamente ao Irão. Após a captura do petroleiro britânico por Teerão, Washington pretende formar uma força internacional de proteção marítima no Golfo. Uma reunião de emergência foi convocada para esta segunda-feira.

Após a apreensão do navio petroleiro britânico Steno Impero no Estreito de Ormuz, o Reino Unido encontra-se agora sob pressão para se juntar aos planos do aliado Estados Unidos relativamente ao Irão, avança o The Guardian.

O navio foi capturado na sexta-feira passada, duas semanas depois da apreensão do navio iraniano Grace 1 pelas autoridades britânicas, acusado de transportar petróleo para a Síria, violando as sanções europeias. Teerão assegura que só libertará o petroleiro britânico se o Reino Unido libertar também o navio iraniano que apreendeu na costa de Gibraltar.

Agora, Jeremy Hunt, o atual ministro britânico dos Negócios Estrangeiros e candidato à liderança do Partido Conservador, estará sob pressão para aceitar o convite de Washington para organizar uma força internacional de proteção marítima.
Críticas internas pressionam Hunt
A marinha britânica foi alvo de fortes críticas. O ministro da Defesa, Tobias Ellwood, disse que os cortes no orçamento "deixaram a marinha demasiado pequena para gerir os interesses da Grã-Bretanha em todo o mundo".

Por outro lado, vários membros do Partido Conservador, próximos de Boris Johnson, encontram-se descontentes com o Governo devido à relutância em aceitar a oferta dos Estados Unidos, que promete proteger os navios britânicos na região.

O Conservador Iain Duncan Smith referiu que a captura do navio levantou questões sobre a capacidade da marinha britânica. "Se isto não alertou para a necessidade de recursos, proteção e transporte dos nossos navios nesta zona, eu quero saber porque não".

Hunt afirmou que anunciaria sanções contra membros da Guarda Revolucionária Iraniana e que o Reino Unido estava disposto a juntar-se a uma força de proteção internacional. Disse ainda que seriam enviados recursos aéreos para a região.

No passado domingo, o Foreign Office confirmou que Hunt falou com os homólogos franceses e alemães e concordaram que "uma passagem segura para os navios" no Estreito de Ormuz é "uma prioridade" para a Europa.
"EUA estão a arrastar o Reino Unido para pântano"
O Reino Unido tem hesitado em aceitar o plano para a formação de uma força de segurança marítima, a Operação Sentinel, visto que já existe uma operação anti pirataria apoiada pelas Nações Unidas na costa da Somália e outras forças já operam no Golfo.

Há também algumas preocupações quanto ao financiamento da operação proposta pelos Estados Unidos, fazendo surgir receios de que o incidente no Estreito se converta em algo mais volátil.

Javad Zarif, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, replicou que o conselheiro de segurança dos EUA, John Bolton, "falhou ao tentar atrair Donald Trump para a guerra do século, e agora está a virar o seu veneno contra o Reino Unido, na esperança de arrastá-lo para um pântano".

Theresa May, a primeira-ministra cessante, presidirá a uma reunião de emergência, agendada para esta segunda-feira, onde se discutirá a segurança dos navios no Golfo.
Reino desunido lida com tensão externa

Nesta terça-feira, será revelado o novo líder do Partido Conservador.

Porém, os principais candidatos, Jeremy Hunt e Boris Johnson têm opiniões díspares no que concerne ao Irão e à posição face aos EUA.

Aquando da divulgação de mensagens confidenciais do embaixador britânico em Washington, Kim Darroch, Jeremy Hunt assumiu uma posição forte, dizendo que os comentários de Trump eram "inaceitáveis".

Por outro lado, Boris Johnson afirmou que tinha uma "boa relação" com a Casa Branca e que era importante preservar uma "aliança próxima" com o velho aliado.

Os atuais ministros das Finanças e da Justiça já anunciaram as suas demissões caso Boris Johnson suceda a Theresa May.
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