Relatório da ONU. Produção de cocaína mundial alcança números históricos

O cultivo de cocaína disparou 35 por cento entre 2020 e 2021, atingindo níveis mundiais sem precedentes, de acordo com o Relatório Global sobre Cocaína da ONU, divulgado esta quinta-feira. Os dados apontam para o aparecimento de novos centros de tráfico no sudeste da Europa e África.

Carla Quirino - RTP /
Relatório Global sobre Cocaína. ONU

Após uma desaceleração temporária causada pela pandemia de covid-19, a produção de cocaína disparou nos últimos dois anos, acompanhando a procura.

“Os dados mais recentes sugerem que essa queda teve pouco impacto nas tendências de longo prazo", retrata o Relatório Global sobre Cocaína da ONU. "A oferta global de cocaína está em níveis recordes", vinca o documento.

A Agência das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC) alerta que o cultivo da planta da coca aumentou 35 por cento entre 2021 e 2022, atingindo níveis sem precedentes.

Além do aumento do cultivo da folha de coca, o documento explica que esse crescimento deve-se à "melhorias no processo de transformação" da folha de coca em cloridrato de cocaína.
Apreensões históricas
A agência descreve um “aumento constante” da procura na última década, que tem sido acompanhado por apreensões que atingiram quase duas mil toneladas em 2021.

Embora o mercado de cocaína permaneça, em grande parte, concentrado no Continente Americano e em algumas regiões da Europa, o relatório afirma que há um grande potencial de expansão na África e na Ásia.

"Os dados das apreensões sugerem que o papel da África, especialmente da África Ocidental e Central, como zona de trânsito para a cocaína a caminho dos mercados na Europa, aumentou substancialmente desde 2019”, argumenta o diretor-executivo do UNODC, Ghada Waly.


Nove toneladas de cocaína apreendidas no Equador em abril de 2022 | Karen Toro

Acrescenta que “o número de grandes apreensões parecem ter atingido níveis recordes em 2021”. "O aumento no fornecimento global de cocaína deve nos colocar em alerta máximo", avança em comunicado.
Mercados em expansão
Na Europa, o Reino Unido apresenta um "aumento significativo" nas apreensões de cocaína transacionadas via "encomendas rápidas e postais".

O consumo de crack também registou recordes em vários países europeus como a Grã-Bretanha, Bélgica, França e Espanha.

O mercado ucraniano estava a crescer na última década, mas foi travado com a invasão da Rússia, em fevereiro de 2022. O documento também reporta a Colômbia na liderança nas rotas de tráfico. O Brasil emergiu como um importante centro produtivo de droga, de acordo com a avaliação da ONU.

Já o consumo na Austrália tem tido altos e baixos. Registou um pico em meados de 2020 e depois caiu 50 por cento no ano seguinte. Voltou a crescer "moderadamente" nos últimos meses de 2021.

O relatório conclui que a Europa e a América do Norte são os maiores mercados de cocaína, seguidos pela América do Sul, Central e a região das Caraíbas.
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