Relatório das Nações Unidas assinala maior parte da vida selvagem em perigo

Um novo relatório das Nações Unidas aponta que mais de quatro mil espécies por todo o mundo estão ameaçadas pelo tráfico animal. De acordo com o documento, esta atividade ilícita tem lugar em mais de 80 por cento dos países. O relatório foi realizado pelo Gabinete das Nações Unidas para as Drogas e o Crime.

RTP /
Reuters

“Apesar de haver falhas no conhecimento de todo o mercado do tráfico animal e crimes associados, existem provas suficientes para concluir que este é um problema global que está longe de ser resolvido”, lê-se.

Esta é conclusão do relatório do Gabinete das Nações Unidas para as Drogas e o Crime (UNODC) sobre os perigos que a vida selvagem continua a enfrentar mesmo depois de anos de campanhas e tentativas para salvar espécies ameaçadas por todo o mundo. O projeto registou 140 mil rusgas realizadas entre 2015 e 2021, examinando os impactos e as tendências do tráfico.

Entre os animais alvo de tráfico internacional encontram-se exemplos de répteis longos como crocodilos ou os elefantes. O tráfico de animais surge como causa principal de extinções de animais por todo o mundo.

“O espetro e escala globais dos crimes contra a vida selvagem continuam a ser consideráveis, com as rusgas a indicarem trocas ilegais em 162 países e territórios afetos a mais de quatro mil espécies de plantas e animais. Aproximadamente 3250 espécies fazem parte da Convenção de Trocas Internacionais de Espécies Ameaçadas”, pode ler-se no site da UNODC.

Algumas das trocas ilegais são feitas por questões médicas. Esqueletos e corpos de animais como pangolins, cavalos-marinhos e felídeos grandes são empalhados ou usados na medicina. Papagaios e iguanas são procurados como animais de estimação.

De acordo com o relatório, a maioria dos crimes de tráfico animal está ligada a grupos de crime organizado. A corrupção é um dos principais obstáculos à luta contra o tráfico, desde subornos a inspetores, até à emissão de licenças falsas por parte de membros dos governos.

Apesar de nas últimas décadas ter aumentado os números de rusgas para salvar animais, os anos de pandemia trouxeram um decréscimo nessa luta. O relatório aponta ainda que os valores envolvidos nesta atividade podem chegar aos 23 mil milhões de dólares, com mais de 100 milhões de plantas e animais a serem traficados todos os anos.

Os dados recolhidos pela UNODC mostram que os objetivos das Nações Unidas para a proteção animal ainda estão muito longe de ser alcançados e que são necessários esforços maiores para atacar o problema. “Para lutarmos contra este crime, temos de igualar a adaptabilidade e agilidade das atividades ilegais”.
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