Relatório sobre atrocidades em Timor-Leste não afectará laços com Indonésia
Os Presidentes de Timor-Leste e da Indonésia deram hoje um abraço em sinal do seu empenho na reconciliação e em não deixar que o relatório sobre as atrocidades cometidas durante a ocupação afecte as relações entre os dois países.
O Presidente timorense, Xanana Gusmão, não se referiu directamente ao relatório, apresentado às Nações Unidas em Janeiro, mas afirmou-se empenhado em "viver em paz" com o país vizinho, em declarações à imprensa após o encontro com o seu homólogo indonésio em Bali.
O relatório, elaborado pela Comissão para o Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR), afirma que pelo menos 102.000 timorenses foram mortos, raptados, ou deixados morrer à fome ou de doença e descreve outras atrocidades - tortura, violência sexual, utilização de napalm - cometidas pelas forças indonésias durante a ocupação da ilha (1975-1999).
O Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, afirmou por seu lado que o relatório é "um assunto interno entre as Nações Unidas e Timor-Leste" que, "no futuro, será uma parte da história das relações entre os dois países".