René Préval oficialmente proclamado presidente

René Préval foi hoje oficialmente proclamado vencedor das presidenciais no Haiti, depois de um acordo para a distribuição dos votos brancos alcançado num contexto de tensão social e política.

Agência LUSA /

René Préval, de 63 anos, regressa assim à presidência cinco anos depois de ter dado lugar ao agora exilado presidente Jean Bertrand Aristide, de quem foi primeiro- ministro em 1991 mas em relação ao qual fez questão, durante a campanha, de mostrar distanciamento pessoal e político.

O anúncio da sua eleição seguiu-se a uma alteração de última hora no método de contabilização dos votos brancos, distribuídos pelos 32 candidatos, ao abrigo de um acordo entre o Governo e a comissão eleitoral para resolver as eleições de 07 de Fevereiro sem uma segunda volta.

Para o chefe da missão da ONU instalada no país desde a deposição de Aristide, em Fevereiro de 2004, o chileno Juan Gabriel Valdés, "a decisão da comissão eleitoral foi sábia (Ó) e lógica (Ó) e vai dar ao país um Governo estável".

Admitindo esperar "protestos por esta situação" e "o desacordo de alguns dos outros candidatos", Juan Gabriel Valdés frisou, no entanto, que "o conselho eleitoral é o único organismo com competência para interpretar a lei eleitoral e anunciar resultados".

Em alguns dos bairros pobres da capital, Port-au- Prince, já antes do anúncio da comissão eleitoral grupos de cidadãos celebravam a vitória de Préval que, como Aristide, é visto como um defensor dos pobres, num país onde estes correspondem a mais de três quartos (77 por cento) da população total (8,5 milhões de pessoas).

Fontes próximas do presidente proclamado insistem que este se distanciou, pessoal e politicamente, de Aristide, mas Préval evitou sempre na campanha referências ao ex- presidente, actualmente exilado na África do Sul, por saber que dependia do voto dos pobres, maioritariamente favoráveis a um regresso do chefe de Estado deposto.

Desde então, a ONU mantém no país uma missão de 7.500 capacetes azuis e 2.000 polícias internacionais, que tentam ajudar a polícia nacional e o Governo provisório a controlar a segurança.

A guerra civil que levou ao exílio do ex-Presidente sob acusações de autoritarismo e nepotismo deixou muitos homens armados e uma economia depauperada no mais pobre país do continente americano.

Filho de um ministro da Agricultura, René Préval formou-se na Bélgica, país para onde a sua família fugiu da ditadura de François Duvalier em 1963, mas nunca chegou a concluir os estudos superiores de Agronomia que ali iniciou.

Na primeira metade da década de 1970 viveu nos Estados Unidos, regressando ao Haiti em 1975. Ingressou na política em 1986, poucos meses antes da saída do poder de Jean Claude Duvalier, altura em que conheceu Aristide, então um sacerdote salesiano crítico do regime.

Foi membro do movimento de esquerda Honra e Respeito pela Constituição, presidiu a uma comissão que investigou o desaparecimento de opositores durante a ditadura e militou na coligação Lavalas, que levou Aristide à presidência do país em 1990.

Depois do golpe militar que depôs Aristide em 1991, de quem era primeiro-ministro, passou à clandestinidade. Mas, quando no ano seguinte Aristide voltou à presidência com a protecção dos Estados Unidos, Préval já não assumiu nenhum cargo no Governo.

Em 1995 candidatou-se à presidência pela coligação Lavalas e obteve 87,9 por cento dos votos numas eleições marcadas por uma taxa de participação muito baixa.

Foi, na altura, apelidado de `herdeiro` de Aristide, que não pôde candidatar-se a um novo mandato por imperativo constitucional.

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