Repórteres sem Fronteiras alertam para "quadro preocupante" da liberdade de imprensa na Europa

por RTP
Reuters

A organização Repórteres sem Fronteiras descreve a liberdade de imprensa na Europa como “um quadro preocupante”. A organização afirma que a Europa continua a ser um local seguro para os jornalistas, mas sublinha que “os riscos estão a aumentar” e que é “vital melhorar a proteção de todos os jornalistas”.

As questões em torno da liberdade de imprensa e as ameaças para os jornalistas voltaram a ser um tema de debate após a morte de um jornalista grego, no sábado. Giorgos Karaïvaz, um jornalista especializado em assuntos criminais numa televisão privada grega, foi atingido por pelo menos seis tiros em frente da sua casa. A morte de Karaïvaz marca o quarto assassinato de um repórter na Europa nos últimos cinco anos.

Para Pavol Szalai, diretor do escritório da UE/Balcãs dos Repórteres sem Fronteiras (RSF), a questão da liberdade de imprensa “é um quadro preocupante”. “A Europa continua a ser o lugar mais seguro do mundo para se ser jornalista, mas as pressões sobre a liberdade de imprensa – e os riscos – estão a aumentar”, explica Szalai, citado por The Guardian.

“Assassinar um jornalista é um ato desprezível e cobarde”, escreveu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na rede social Twitter após a notícia da morte de Giorgos Karaïvaz. “A Europa representa a liberdade. E a liberdade de imprensa pode ser a mais sagrada de todas. Os jornalistas devem ser capazes de trabalhar em segurança”, acrescentou von der Leyen.

O presidente do Parlamento Europeu (PE), David Sassoli, também reagiu ao assassínio do jornalista grego, defendendo que “as investigações devem esclarecer urgentemente se o assassínio estava ligado ao seu trabalho".

A RSF cita um declínio no Estado de Direito, um aumento dos ataques violentos e das ameaças online como algumas das principais preocupações para a liberdade de imprensa na Europa. A organização observa em particular um “ataque sofisticado e metodológico à liberdade de imprensa” na Hungria, que está a inspirar comportamentos semelhantes na vizinha Eslovénia e na Polónia.

Na Hungria, os jornalistas têm acusado o Governo de Viktor Orbán de estar a impedir os meios de comunicação de cobrir a pandemia de Covid-19. Em carta aberta publicada no final de março, a maioria das agências de notícias independentes no país e vários jornalistas dizem ter sido impedidos de entrar em hospitais e de entrevistar profissionais de saúde. Para além disso, qualquer pessoa condenada no país por publicar “notícias falsas” pode agora ser condenada a uma pena de prisão de até cinco anos.

No relatório de 2020, a RSF afirma que esta medida dá às autoridades húngaras mais um instrumento para pressionar os media independentes. De acordo com este relatório, a Hungria está colocada no 89º lugar na classificação mundial da liberdade de imprensa.
Violência e ameaças online são uma “preocupação crescente”
Na Europa Ocidental, a RSF mostra-se mais preocupada com o aumento dos casos de violência contra jornalistas durante as manifestações – quer por parte da polícia, quer dos manifestantes – em países como a Alemanha, França, Espanha e Grécia.

Em França, vários jornalistas foram recentemente espancados ou feridos por balas de borracha e granadas de gás lacrimogéneo disparadas pela polícia e outros foram atacados por apoiantes de grupos de extrema-direita em Espanha e na Grécia.

“Essa também é uma tendência de preocupação crescente – violência contra jornalistas e prisões arbitrárias”, disse Pavol Szalai, citado pelo jornal britânico.

A organização Repórteres sem Fronteiras também se mostra preocupada com as ameaças online, como assédio e mensagens de ódio, considerando que são prejudiciais ao trabalho dos jornalistas. Em março, a organização interpôs uma queixa contra o Facebook por considerar que a rede social não cumpre o seu dever de evitar a disseminação de informações falsas e mensagens de ódio.

A RSF deu vários exemplos de discursos de ódio na rede social, como o da página de Facebook da revista satírica Charlie Hebdo, em que, após a publicação de uma de suas capas de setembro, foram registados dezenas de comentários insultuosos, ameaçadores ou a apelar à violência contra os seus jornalistas.

“A UE apelou a que as liberdades dos meios de comunicação sejam fortalecidas”, sublinhou o diretor do escritório da UE/Balcãs da RSF. “É vital que a Europa cumpra suas responsabilidades e melhore a proteção de todos os jornalistas”, sublinha Szalai.

Segundo o relatório do ano passado da RSF, do total de 180 países, Portugal encontra-se em décimo lugar na classificação mundial da liberdade de imprensa. Nos três primeiros lugares encontram-se a Noruega, Finlândia e Dinamarca.

c/ agências
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