Repressão sobre os uigures em Xinjiang, na China, intensificou-se
A China intensificou a repressão sobre os uigures e outras minorias étnicas de origem muçulmana no extremo oeste do país, acusou hoje uma organização de defesa dos Direitos Humanos.
Segundo a Human Rights Watch (HRW), pelo menos 250.000 pessoas foram condenadas e presas, entre 2016 e 2019, na região autónoma de Xinjiang, que tem cerca de 25 milhões de habitantes, a maioria dos quais muçulmanos.
Estas sentenças somam-se à prisão de um milhão de uigures em campos de reeducação política, denunciadas por várias organizações de defesa dos Direitos Humanos.
Pequim nega a existência dos campos e diz tratar-se de "centros de formação profissional" destinados a afastar os uigures do extremismo religioso.
Entre os motivos das condenações, a HRW cita "provocação à perturbação da ordem pública", uma acusação usada frequentemente na China em casos políticos.
"Apesar da aparência de legalidade, muitos dos que acabam na prisão em Xinjiang são pessoas simples que praticam a sua religião", disse a HRW.
Os Estados Unidos consideram que a situação em Xinjiang é um "genocídio" e o parlamento do Canadá adotou na terça-feira uma declaração nesse sentido.
Segundo o relatório da HRW, os tribunais locais condenaram mais de 99.000 pessoas, em 2017, contra menos de 40.000, no ano anterior, quando uma campanha de "ataque contra o terrorismo" foi lançada, em resposta a ataques atribuídos a separatistas uigures.
Mais de 133.000 pessoas foram condenadas, em 2018, e a HRW estima que o número para 2019 esteja na mesma ordem dos dois anos anteriores, embora nenhuma contagem oficial tenha sido fornecida para 2019 e 2020.
As penas também tendem a ser mais longas: em 2017, quase 90% das sentenças ultrapassaram os cinco anos de prisão, face a apenas 11%, no ano anterior.
Em 2009, a capital de Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria Han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional.