República Democrática do Congo. Duas novas vacinas contra o vírus Bundibugyo vão integrar ensaio clínico
Duas vacinas que estão a ser desenvolvidas especificamente para o vírus Bundibugyo vão integrar o ensaio clínico que está a decorrer na República Democrática do Congo, onde uma epidemia de Ébola já matou 5.100 pessoas.
O anúncio foi hoje feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na sequência da recomendação de um grupo de peritos independentes para que as vacinas da Universidade de Oxford, desenvolvidas em cooperação com o Serum Institute da India, e da farmacêutica Moderna integrem o ensaio clínico Tumaini que está em curso na República Democrática do Congo (RDCongo) desde o final de outubro.
Esta é a primeira vez que vacinas especificamente projetadas para proteger contra o vírus Bundibugyo serão avaliadas durante um surto de Ébola, adiantou a agência das Nações Unidas para a área da Saúde.
De acordo com a OMS, a recomendação para a avaliação clínica adicional das duas vacinas foi emitida com base em dados pré-clínicos e clínicos iniciais já disponíveis e as entidades que estão a desenvolvê-las foram informadas na segunda-feira.
"O facto de essas vacinas estarem prontas para entrar em ensaios clínicos é um testemunho do poder da ciência e da parceria", referiu o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, ao salientar que as vacinas não vão acabar com o surto de Ébola, mas "podem tornar-se uma nova ferramenta poderosa para controlá-lo".
O Tumaini foi projetado para testar várias vacinas candidatas num único ensaio, utilizando uma abordagem de vacinação em anel que envolve contactos de pessoas com doença confirmada pelo vírus Bundibugyo, explicou ainda a OMS.
Esta plataforma de ensaios clínicos está também a testar uma outra vacina já existente contra a estripe Zaire do Ébola no sentido de avaliar agora a sua eficácia contra o vírus Bundibugyo.
Mais de 5.100 pessoas morreram devido à epidemia de Ébola na RRDCongo, onde já foram registados perto de 10.500 casos de infeção pelo vírus, de acordo com dados atualizados na terça-feira pelas autoridades do país.
A epidemia na RDCongo é já a mais mortífera da história do país e as projeções apontam para que possa vir a superar o surto registado entre 2014 e 2016 na África Ocidental, que deixou 28.616 casos confirmados e 11.325 mortos na Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa, segundo os dados da OMS.