Republicanos dos EUA alarmados com sucessão de derrotas em ano eleitoral

Republicanos dos EUA alarmados com sucessão de derrotas em ano eleitoral

Uma sucessão de derrotas, incluindo uma copiosa no Estado do Texas de uma candidata apoiada por Donald Trump, deixaram o Partido Republicano em alarme a poucos meses de eleições intercalares que ditarão a maioria no Congresso. 

Lusa /

Entre as eleições presidenciais de novembro de 2024 e a votação de sábado para um cargo no Senado do Texas, o distrito que abrange alguns subúrbios da área metropolitana de Fort Worth oscilou mais de 30 pontos percentuais da direita para a esquerda.  

Isto apesar de Trump ter declarado, antes da votação, "total e irrestrito apoio" à candidata republicana Leigh Wambsganss, que viria a perder para o democrata Taylor Rehmet. 

Depois do anúncio dos resultados, Trump tentou distanciar-se: "Não estou envolvido nisto. É uma eleição local no Texas", declarou. 

Já Ron DeSantis, governador da Florida e antigo rival de Donald Trump na corrida à nomeação republicana para a presidência em 2024, fez soar o alerta.  

"Uma mudança desta magnitude não pode ser ignorada", declarou o político conservador no X, instando os republicanos a terem "uma visão realista do cenário político" à medida que se aproximam as eleições intercalares. 

No Minnesota, já tendencialmente democrata, dois candidatos democratas à assembleia estadual conquistaram mais de 95% dos votos no final de janeiro. 

No Tennessee, numa eleição em dezembro para um lugar no Congresso a margem de vitória do candidato republicano diminuiu em mais de 12 pontos percentuais em comparação com 2024. 

Antes, na Virgínia, os democratas tinham recuperado facilmente o governo estadual. 

À direita, as críticas ainda são geralmente veladas, mas alguns fazem oposição aberta ao movimento "MAGA", com destaque para Marjorie Taylor Greene, uma das primeiras apoiantes de Donald Trump. 

"Aqueles que o movimento MAGA realmente serve nesta administração são os seus principais doadores", declarou a agora ex-congressista republicana no final de janeiro. 

Os norte-americanos vão votar a 03 de novembro a renovação de toda a Câmara dos Representantes e de um terço do Senado, além de elegerem 36 governadores e outras autoridades locais. 

Para Trump, estas serão eleições cruciais para a segunda metade do seu segundo e último mandato, pondo em jogo a estreita maioria republicana no Congresso. 

O Presidente, que já alertou para a possibilidade de ser destituído e caso de maioria democrata no Congresso, iniciou este mês ações de campanha semanais e planeia realizar uma Convenção Nacional Republicana antes das eleições intercalares, semelhante à organizada para a nomeação presidencial. 

Os democratas intensificaram as críticas à administração Trump devido ao elevado custo de vida, incluindo habitação e cuidados de saúde, uma questão que gerou desconforto até entre setores da própria base eleitoral do Presidente. 

A taxa de Trump desceu para um mínimo de 37% na sondagem do Pew Research Center, que atribui a queda do apoio "exclusivamente aos republicanos".  

A popularidade de Trump em janeiro ficou abaixo dos 40% registados na última medição do Pew, em setembro, e do anterior mínimo (38%, em agosto) desde início do seu segundo mandato, há um ano, detalhou o centro de pesquisas.  

A desaprovação do seu desempenho subiu para 61%, enquanto 50% consideraram as suas ações "piores do que o esperado" e 52% manifestaram apoio a "poucas ou nenhumas" das suas políticas.   

Na segunda-feira, Trump instou o governo federal a assumir o controlo do processo eleitoral em cerca de quinze estados, uma medida contrária à Constituição e que preocupa os grupos de defesa dos direitos civis. 

Num desenvolvimento positivo para a direita, o Partido Republicano tem mais de 95 milhões de dólares em caixa antes das eleições intercalares, em comparação com apenas 14 milhões de dólares do Partido Democrata. 

Tópicos
PUB