Resgatadas as 68 pessoas sitiadas desde domingo pelas chuvas no sul de Moçambique

Todas as 68 pessoas, incluindo duas grávidas, sitiadas desde domingo no distrito de Mapai, na província moçambicana de Gaza, sul do país, foram resgatadas hoje, avançaram à Lusa as autoridades locais, que admitem "desafios" na acomodação das vítimas.

Lusa /

"Já foram resgatadas todas as pessoas que estavam sitiadas e foram todas encaminhadas ao centro de acomodação de Mafassitela e estamos a prestar assistência a essas pessoas", disse à Lusa a administradora do distrito de Mapai, Maria Langa.

Pelo menos 68 pessoas, incluindo 23 crianças e 25 mulheres, estavam sitiadas desde domingo naquele distrito moçambicano, não tendo sido resgatadas na quinta-feira pelos meios aéreos, que tentaram a aproximação, devido à chuva torrencial.

Em declarações à Lusa, a administradora disse que entre as vítimas encontram-se duas mulheres grávidas que os resultados da assistência do setor da saúde mostraram estarem saudáveis, uma criança com febre e um adulto que terá sofrido queimaduras durante a tentativa de usar uma bateria de um veículo para carregar telemóvel.

A administradora disse que as 68 pessoas vão permanecer no centro de acomodação de Massitela até existirem condições seguras de transitabilidade, para poderem regressar às suas zonas ou retomar a viagem, admitindo desafios face às condições de acomodação.

"Tem condições no centro de acomodação, mas há desafios e haverá dificuldades, sobretudo problemas de água para o consumo. Se pudéssemos ter também mais alimentação, tendas e mantas seria uma mais-valia", disse Maria Langa.

Estas pessoas ficaram bloqueadas quando seguiam viagem para o distrito de Massangena, saindo de Mapai, no norte da província de Gaza, tendo sido bloqueados ao longo do percurso pela força das águas, devido às chuvas intensas que caem um pouco por todo o país.

Maria Langa referiu antes que a situação é crítica em Mapai devido às chuvas intensas, havendo esforços conjuntos, do governo distrital, polícia, Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e Serviço Nacional de Salvação Pública (Sensap) para ajudar os sitiados.

O Presidente moçambicano disse antes que o Governo espera melhorias das condições climatéricas para salvar populações sitiadas devido às chuvas, defendendo que resta ao país "gerir melhor os eventos climáticos" que o assolam para evitar mais mortes.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano renovou hoje o aviso vermelho de chuvas muito fortes no centro e sul, incluindo na cidade de Maputo, até final de sábado, enquanto se registam inundações e cheias generalizadas.

Pelo menos 103 pessoas morreram e 173 mil foram afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, registando-se a destruição total de 1.160 casas e outras mais de 4.000 parcialmente inundadas, avançou hoje o Governo, que decretou alerta vermelho nacional.

A atual época de chuvas, que começou em outubro e vai até abril, tem sido marcada por alertas, principalmente nas zonas do centro e do sul do país, com as autoridades a ativarem ações de antecipação às cheias e inundações.

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