Residência de Santa Marta, a casa dos cardeais durante o conclave

O conclave para eleger o próximo Papa realiza-se, pela primeira vez, em dois lugares diferentes do Vaticano: a Capela Sistina, onde decorrerão as votações, e a Residência de Santa Marta, onde ficarão alojados os cardeais eleitores.

Agência LUSA /

Na quinta-feira, os cardeais eleitores procederam ao sorteio dos quartos que ocuparão no moderno edifício de cinco pisos enquanto não escolherem um sucessor para João Paulo II, que morreu a 02 de Abril, aos 84 anos, após 26 anos de pontificado, o terceiro mais longo da história da Igreja Católica.

A Residência de Santa Marta é composta por 106 suites, 22 quartos e um apartamento, todos equipados com casa-de-banho privativa, escritório e biblioteca, para que os cardeais possam usufruir de um conforto de que até aqui não dispunham nas celas contíguas à Capela Sistina, onde ficavam instalados até elegerem um novo Pontífice.

Ainda que de aparência austera, o edifício tem pavimentos de mármore, portas de madeiras nobres, as camas, mesas e cadeiras são móveis de época e as paredes estão decoradas com quadros que representam, entre outras figuras, Cristo, a Virgem Maria e São Pedro, havendo igualmente várias estátuas de João Paulo II.

O edifício dispõe igualmente de uma ampla sala de jantar e de uma capela com luz natural, em que se encontra um crucifixo de talha de madeira.

A "Domus Sanctae Marthae", nome oficial da residência, situa- se no mesmo local onde em tempos existiu um hospício com o mesmo nome, a poucos metros à direita da Basílica de São Pedro, e foi restaurada por iniciativa de João Paulo II, em 1994, para tornar mais cómoda a vida dos cardeais, sobretudo os mais velhos, nos dias que durar o conclave.

No total, são 115 os cardeais que participarão na eleição do próximo Papa, todos com menos de 80 anos (dois cardeais eleitores estarão ausentes por razões de saúde), mas vários outros prelados assistirão ao conclave e ficarão também alojados em Santa Marta: o secretário do colégio cardinalício, o mestre das celebrações litúrgicas e dois confessores, bem como médicos para lidar com eventuais emergências.

Como estabelecem as normas vaticanas, durante o conclave, o isolamento dos eleitores será total e estes deverão abster-se de correspondência epistolar, telefónica ou por outros meios com pessoas alheias ao conclave.

Por isso, durante os dias necessários para a escolha do novo Papa, desaparecerão de Santa Marta as televisões, telefones, rádios e quaisquer outros meios que possam violar o estipulado por João Paulo II na Constituição Apostólica "Universi Dominici Gregis", sobre a Sede Apostólica e a eleição do novo Pontífice.

Se algum cardeal precisar de alguma coisa indisponível no local, o subsecretário de Estado - um dos poucos cargos que não cessam quando morre um Papa -, actualmente o arcebispo argentino Leonardo Sandro, encarregar-se-á do seu provimento, ao mesmo tempo que garantirá que tudo decorre de acordo com as normas.

O espaço do conclave, até agora limitado à Capela Sistina, estende-se, pela primeira vez na história dos conclaves, ao conjunto do Vaticano, podendo os cardeais sair da Residência de Santa Marta para meditar e passear. Para se deslocar até à Capela Sistina, onde se realizam as votações, os cardeais percorrerão cerca de um quilómetro, sem abandonar o recinto do Vaticano, considerando-se que o inconveniente da distância, que poderá ser percorrida a pé ou num mini- autocarro, é largamente compensado pela qualidade do alojamento.

No percurso, os cardeais contornarão a Basílica de São Pedro por trás, passarão em frente da Igreja de Santo Estêvão dos Abissínios, continuarão pela Vía delle Fondamenta, até chegarem ao Arco de São Dâmaso, entrarão no Pátio de São Dâmaso, já no Palácio Apostólico, e dirigir-se-ão, então, para a Capela Sistina.

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