Retomado julgamento de Saddam Hussein com acusações aos EUA

O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein, que acusou os seus carcereiros de o torturarem, compareceu hoje perante o Alto Tribunal Penal, no mesmo dia em que o primeiro- ministro britânico efectua numa visita surpresa ao Iraque.

Agência LUSA /
EPA

A sétima audiência do julgamento de Saddam e de sete de seus colaboradores, acusados do massacre de aldeões xiitas, começou às 11:15 locais (08:15 em Lisboa).

Perante o tribunal, o ex-presidente acusou hoje os Estados Unidos de "mentirem" ao afirmarem que o antigo chefe de Estado não foi torturado pelos carcereiros, tal como "mentiram sobre as armas químicas" do Iraque.

"Na Casa Branca, são mentirosos", disse Saddam Hussein, numa referência ao desmentido da administração norte-americana que negou que o antigo presidente tenha sido vítima de tortura, por parte dos seus carcereiros.

"Mentiram ao dizerem que o Iraque tinha armas químicas.

Voltaram a mentir quando disseram que não fui espancado", adiantou.

Depois de três pessoas terem testemunhado quarta-feira sobre a repressão que se abateu na localidade de Dujail, a norte de Bagdad, após um ataque contra uma caravana de viaturas em que seguia Saddam Hussein, em 1982, uma nova testemunha depôs hoje em tribunal a coberto do anonimato, falando por detrás de uma cortina e com a voz distorcida.

Apoiantes do antigo presidente manifestaram-se hoje em Tikrit, a norte de Bagdad, pelo segundo dia consecutivo. Uma manifestação similar realizou-se em, Dur, na mesma região.

Entretanto, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, chegou hoje a Bassorá, a 550 quilómetros a sul de Bagdad, para uma visita surpresa ao Iraque, o quarto do género desde a invasão de Março de 2003.

Tony Blair deverá dirigir-se ao contingente de cerca de 8.000 homens destacados em quatro províncias do sul do país, principalmente em torno de Bassorá.

Blair deverá também reunir-se em Bassorá com o general George Casey, comandante das tropas norte-americanas no Iraque, e com o embaixador dos Estados Unidos, Zalmay Khalilzad, bem como com outros diplomatas e rtesponsáveis militares.

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