Reunião de crise no Chipre após chumbo do Parlamento a resgate internacional

Reunião de crise no Chipre após chumbo do Parlamento a resgate internacional

O Presidente cipriota está reunido com os líderes dos grupos parlamentares, ao mesmo tempo que o seu ministro das Finanças negoceia em Moscovo as condições de reembolso de um crédito de 2,5 mil milhões de euros concedido pela Rússia em 2011, entre outros eventuais apoios alternativos à proposta do Eurogrupo. A Zona Euro aguarda entretanto "uma contraproposta" cipriota com "efeito equivalente" ao resgate chumbado na terça-feira.

Graça Andrade Ramos, RTP /
O Presidente do Chipre está reunido com os líderes dos grupos parlamentares para encontrar alternativas ao plano do Eurogrupo chumbado há menos de 24 horas Yorgos Karahalis/Reuters

O plano de resgate baseava-se num empréstimo de dez mil milhões de euros, a que se iriam somar 5,8 mil milhões garantidos por uma taxa sobre os depósitos bancários privados do Chipre.
A proposta isentava os depósitos menores do que 20 mil euros, mas os restantes eram penalizados: com uma taxa de 6.75 por cento os depósitos até 100 mil euros e de 9,9 os depósitos acima desse montante. O Parlamento rejeitou o plano com 36 votos contra, 19 abstenções e nenhum voto favorável.


Tinha de ser aprovado pelo Parlamento do Chipre, mas na terça-feira os deputados rejeitaram o plano, incluindo os legisladores do partido do Presidente Nicos Anastasiadis.

Na reunião que já está a decorrer, Anastasiadis e os líderes dos grupos parlamentares deverão encontrar um plano B, já que o Eurogrupo mantém a oferta de ajuda de dez mil milhões, desde que o Governo cipriota consiga a restante verba.

Trata-se de "examinar planos alternativos para responder à situação que pode surgir após o voto parlamentar", referiu um comunicado da Presidência cipriota sobre a reunião desta manhã.

Reestruturação bancária, emissão de obrigações e financiamento russo são algumas das hipóteses consideradas.
Abertura das Bolsas
Os bancos do Chipre estão encerrados para impedir uma corrida aos depósitos previsível após o anúncio da taxa, no fim de semana, ter lançado o pânico entre os cipriotas.

A reabertura dos bancos na terça-feira, após um feriado, foi adiada para amanhã, mas a Alemanha já disse que, se não houver acordo, os bancos poderão não reabrir.

O Banco Central Europeu recuou entretanto na sua ameaça feita antes da votação no Parlamento cipriota, de terminar com a liquidez de emergência dada ao Chipre caso a proposta fosse rejeitada.

O recuo do BCE sustentou as bolsas europeias que abriram a subir na quarta-feira. Às 7h11, o Euro STOXX 50, o DAX alemão e o francês CAC estavam entre 0,3 e 0,4 por cento acima do fecho de terça-feira.
Negociações russas
Michael Sarris, o ministro cipriota das Finanças, estará até quinta feira em Moscovo para uma série de encontros, designadamente com o seu homólogo russo Anton Siluanov, de forma a encontrar alternativas e renegociar o pagamento de 2,5 mil milhões de euros que a Rússia emprestou ao Chipre em 2011.

A empresa de gás russa Gazprom já propôs, entretanto, pagar a dívida cipriota em troca dos direitos de exploração das jazidas de gás natural da ilha.

Moscovo pretende ainda ter acesso aos dados das numerosas contas que cidadãos e empresas russas detêm na ilha, por suspeitas de que serão usadas para evasão fiscal.

Os depósitos russos constituirão um quinto do total dos depósitos nos bancos cipriotas.
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