Reunião do G8 ensombrada por recuos no dossier climático

A cimeira do G8 arranca hoje na cidade italiana de Áquila com a crise económica, alterações climáticas e Irão a pontificarem na agenda dos encontros marcados até sexta-feira. Para já, é o anunciado recuo nas medidas face às alterações climáticas que ocupa os títulos da imprensa, com as agências a fazerem eco de um relatório que preconiza o abandono da meta dos 50 por cento nas emissões até ao ano de 2050.

RTP /
Os manifestantes prometem fazer-se ouvir durante o encontro dos oito mais ricos Claudio Lattanzio, EPA

São vários os pontos de interesse desta reunião dos oito países mais ricos. Desde logo o local escolhido para a sua realização: Áquila. Esta cidade foi parcialmente destruída por um sismo em Abril passado - 299 pessoas morreram - e o habitantes queixam-se da falta de apoio por parte do Executivo Berlusconi, que está à cabeça da reunião, e dos atrasos evidentes nos trabalhos de recuperação.

O factor Áquila em si mereceu particular atenção por parte da organização, que pretende evitar manifestações - que poderão contar com os ambientalistas - semelhantes àquelas que ocorreram em Génova no ano de 2001 e que puseram a cidade a ferro-e-fogo durante a realização da cimeira. Nesse sentido, o Governo italiano mobilizou um contingente policial de milhares de polícias para garantir a segurança.

Para já, é o anunciado recuo nas medidas face às alterações climáticas que ocupa os títulos da imprensa, com as agências internacionais a fazerem eco de um relatório que preconiza o abandono de 12 países da meta dos 50 por cento nas emissões com efeito de estufa até ao ano de 2050.

Recuo no combate aos gases com efeito de estufa
Amanhã, o G8 deverá ocupar-se do dossier clima, procurando assegurar avanços que permitam um acordo dentro de cinco meses em Copenhaga. Em discussão estará um documento, ao qual a Reuters afirma ter tido acesso, e que a levar a chancela do G8 representará um recuo face às propostas de redução dos gases com efeito de estufa em 50 por cento até ao ano de 2050.

São no total 12 as nações que deverão negar-se à meta que estava em cima da mesa, representando este número uma preocupação real quando se trata de países que à sua conta representam a quase totalidade da quota da poluição mundial.

"Há um forte compromisso (da sua parte) no sentido de reduzir de forma substancial as emissões mundiais até 2050. Mas não em 50 por cento", declarou à Agence France Presse um responsável europeu.

Um sinal positivo para o dossier clima será a manutenção do objectivo dos 2º na subida da temperatura global, de acordo com um dos negociadores.

Crise financeira e pós-eleições iranianas completam programa
A crise económica mundial constitui outro dos pontos da agenda de Áquila, com a preocupação centrada na reforma de um sistema financeiro que provou as suas fragilidades no último ano, procurando agora o grupo dos países mais ricos, impulsionados pela Itália, implementar o apero das regras do sector. Em discussão estará igualmente o ciclo de Doha sobre a liberalização do comércio mundial.

Nesta dimensão, deverá ser imposta a ideia de que "há já sinais de estabilização na ecoomia mundial mas é tudo muito incerto", de acordo com representantes da delegação britânica, que defendem "a manutenção das políticas que temos neste momento", com o mais que provável silêncio no que respeita ao lançamento de novas medidas.

As discussões políticas serão dominadas pela crise em que mergulhou o Irão na sequência da reeleição do Presidente Mahmud Ahmadinejad, com alguns dos países do G8 determinados a fazer passar um firme condenação da violência que se seguiu ao período eleitoral.

O Presidente norte-americano, que se deslocou a Itália com toda a família, sublinhou igualmente a importância de encetar conversações com o Irão e a Coreia do Norte relativamente aos dossiers nucleares destes países. Barack Obama defende uma posição forte da comunidade internacional que obrigue à renúncia de Teerão e Pyongyang relativamente às suas ambições de se equiparem com armamento nuclear.

 

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