Reunião do gabinete restrito israelita após decisão da UNESCO

Jerusalém, 01 nov (Lusa)- O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, vai reunir hoje o seu gabinete restrito para decidir a reação de Israel à admissão da Palestina como membro da UNESCO, decidida na segunda-feira em Paris, noticiaram hoje os média israelitas.

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"O gabinete restrito, que inclui oito ministros, deverá reunir-se hoje à tarde para fazer um ponto de situação sobre a resposta de Israel a este voto", adiantam os «media» israelitas.

"Iremos analisar como entendemos reagir a este voto", confirmou à agência noticiosa francesa AFP um alto responsável israelita que pediu anonimato.

Questionado hoje na rádio pública, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Danny Ayalon, disse que "Israel vai ponderar a reação ao voto ao nível diplomático e político tendo em conta os seus interesses".

Acrescentou que "a UNESCO se tornou numa organização política ao integrar um Estado que não existe na sequência do voto de uma maioria automática dos seus membros(...). Esta iniciativa dos palestinianos prova que eles não querem paz nem negociações, mas sim perpetuar o conflito".

Danny Ayalon indicou que Israel irá exprimir a sua "deceção" à França pelo seu voto, que considera "bizarro, já que a França, um país amigo, cedeu à Autoridade Palestiniana depois de ter tentado dissuadi-la da sua iniciativa junto da UNESCO".

A Autoridade Palestiniana foi admitida na segunda-feira como membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) com 107 votos a favor, 52 abstenções e 14 votos contra dos Estados membros presentes na votação em Paris.

Portugal absteve-se na votação. Entre os países que votaram favoravelmente estão Espanha, França, Índia, China e vários países latino-americanos.

Estados Unidos, Alemanha e Canadá, entre outros, votaram contra.

O jornal diário israelita Haaretz adiantou que Israel quer "punir" a Autoridade Palestiniana e escreveu que "o gabinete de segurança irá discutir eventuais sanções" contra o executivo de Mahmud Abbas.

O jornal citou um responsável israelita segundo o qual Israel poderá decidir acelerar a construção de colonatos nas zonas ocupadas ou suspender a transferência para a Autoridade Palestiniana dos fundos provenientes dos impostos sobre as mercadorias que transitam pelos seus portos e aeroportos.

De acordo com o mesmo responsável, que pediu o anonimato, os dirigentes palestinianos poderão ainda perder os vistos especiais que lhe permitem circular livremente em território israelita.

Por seu lado, o Jerusalém Post adiantou que "Israel irá rever a cooperação com a UNESCO".

Citou ainda o chefe da diplomacia israelita Avigdor Lieberman, que na segunda-feira defendeu o rompimento de todos os contactos com a Autoridade Palestiniana.

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