Reunificação alemã cria superpotência

A aritmética parece simples: em 1988 as duas Alemanhas arrebataram juntas a maior parte das medalhas olímpicas. A Alemanha reunificada poderá ser uma superpotência, não apenas no plano desportivo.

Isabel Silva Costa, 7 de Julho de 1990 /
A Alemanha é uma potência de primeira ordem, pelo PNB, pela capacidade exportadora e por indicadores de consumo, como o número de automóveis por milhar de habitantes. Com a reunificação, as grandes empresas da Alemanha ocidental, apressaram-se a criar joint ventures com alemães do Leste. No horizonte, parece desenhar-se um novo "Wirtschaftswunder" - um "milagre económico".

A unificação alemã é relativamente recente, e data de Bismarck, o "chanceler de ferro", que marcou o século XIX e que pôs termo a vários séculos de guerras instestinas, entre o norte e o sul, os protestantes e os católicos, os prussianos e os austríacos, os Hohenzollern e os Habsburgs.

A unidade alemã foi um factor na Primeira Guerra Mundial. Com a derrota e com a instauração da República de Weimar, o nazismo chamou a si o programa de "um só povo, um só Reich" e voltou a associar a unidade alemã a um projecto expansionista.

Hoje, a Alemanha reunificada não soma apenas as capacidades do ocidente e do Leste, mas também os motivos de preocupação dos povos vizinhos, que viveram a ocupação nazi e as atrocidades de uma guerra de conquista.





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