Riade diz que líder separatista iemenita acusado de "alta traição" está nos EAU
A coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen afirmou hoje que o líder destituído do Conselho de Transição do Sul (STC), Aidarous al-Zoubaidi, se encontra nos Emirados Árabes Unidos.
O ex-líder separatista "e outras pessoas fugiram a meio da noite, a bordo do navio `Bamedhaf`, que partiu do porto de Aden com destino à província da Somalilândia, na República Federal da Somália", declarou o porta-voz das forças da coligação, Turki al-Maliki, em comunicado divulgado na rede social X.
Al-Zoubaidi partiu "após a meia-noite de 07 de janeiro, depois de desligar os sistemas de identificação do navio e rumar ao porto de Berbera, onde chegou às 12:00 [10:00 em Lisboa]", continuou.
O navio navega sob a bandeira de São Cristóvão e Neves, indicou Al-Maliki.
O responsável disse tratar-se da "mesma bandeira do `Greenland`, que transportou veículos de combate e armas para o porto de Mukala [sul do Iémen] a partir do porto de Fuyairá [nos EAU]", algo que deu origem a um ataque da coligação no final de dezembro, embora as autoridades dos Emirados Árabes Unidos tenham posteriormente negado que o navio em questão transportasse armas.
Ainda de acordo com o porta-voz, Al-Zoubaidi e outros passageiros viajaram da Somalilândia para a capital somali, Mogadíscio, num avião "Ilyushin (II-76)", partindo mais tarde, nessa mesma aeronave, "em direção ao golfo Pérsico através do mar Arábico, sem definir um destino de partida".
"O avião desligou os sistemas de identificação sobre o golfo de Omã e voltou a ligá-los dez minutos antes de chegar ao aeroporto militar [Al-Reef] de Abu Dhabi às 20:47 [18:47 em Lisboa]", acrescentou.
O Conselho Presidencial do Iémen, que encabeça as autoridades internacionalmente reconhecidas no país, acusou na quarta-feira Al-Zoubaidi de cometer "alta traição com o objetivo de minar a independência da República", de "prejudicar a posição militar, política e económica da República" e de "formar um grupo armado e assassinar oficiais e soldados das Forças Armadas".
A decisão foi anunciada horas depois de a coligação liderada por Riade ter lançado "ataques preventivos limitados" no sudoeste do Iémen, após denunciar que Al-Zoubaidi não tinha viajado para a Arábia Saudita para participar em conversações destinadas a reduzir as tensões.
Washington anunciou que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, abordou a questão com o homólogo saudita, Faisal bin Farhan, numa reunião destinada a "impulsionar a cooperação bilateral em curso" entre os dois países e após a reunião realizada em novembro entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o príncipe herdeiro, Mohamed bin Salman.
O STC aspira recriar um Estado no sul do Iémen, onde uma república democrática e popular foi independente entre 1967 e 1990.
No início de dezembro, as forças separatistas tomaram vastos territórios, mas as fações próximas de Riade, apoiadas por ataques sauditas, retaliaram, recuperando este mês o terreno perdido.
A Arábia Saudita convidou então os dois campos para dialogarem, na quinta-feira, na capital saudita, a fim de pôr termo aos confrontos.
O Iémen está devastado por uma guerra civil desde que rebeldes xiitas Huthis, apoiados pelo Irão, tomaram em 2014 a capital do país e, em seguida, grandes parcelas do território.
O conflito internacionalizou-se um ano depois, quando a Arábia Saudita assumiu a liderança de uma coligação internacional para apoiar o Governo iemenita contra os Huthis.
Rivalidades internas no campo anti-Huthis desencadearam um novo conflito em 2018, opondo os separatistas do sul, agrupados no STC, às forças do Governo, apoiadas respetivamente pelos Emirados Árabes Unidos e pela Arábia Saudita, outrora reunidos na mesma coligação.