Rivais de Trump "terão de arranjar maneira de o atacar sem alienar a base"
O apoio a Donald Trump como candidato Republicano às presidenciais norte-americanas de 2024 tem resistido ao campo alargado de rivais e estes, segundo o analista Thomas Holyoke, terão de "arranjar maneira de o atacar sem alienar a base" do ex-presidente.
Há agora onze candidatos em campanha para destronar Donald Trump na corrida à nomeação presidencial pelo Partido Republicano, a menos de seis meses do início das primárias que vão decidir quem se baterá nas presidenciais de 2024.
Ron DeSantis, Nikki Haley, Vivek Ramaswamy, Asa Hutchinson, Tim Scott, Mike Pence, Chris Christie, Doug Burgum, Francis Suarez, Will Hurd e Larry Elder são as personalidades que estão a correr à nomeação Republicana contra Donald Trump.
"Os candidatos que estão a desafiá-lo terão de arranjar maneira de o atacar sem alienar a sua base, e até agora ninguém percebeu como fazer isso", disse à Lusa o cientista político Thomas Holyoke.
Nos últimos meses, Trump aumentou mesmo a percentagem de eleitores Republicanos no seu campo (de 41% em fevereiro para 53% em agosto).
Nem mesmo os três processos com 78 acusações criminais que Trump enfrenta motivaram ataques diretos dos rivais ao anterior presidente, com exceção de Chris Christie, ex-governador de Nova Jersey, Asa Hutchinson, ex-governador do Arkansas, e Mike Pence, o ex vice-presidente da administração Trump que foi um dos alvos da ira no ataque ao Capitólio.
Pence está mesmo a usar uma citação tornada pública pelo mais recente indiciamento de Trump para se promover, usando chapéus e t-shirts com a frase "demasiado honesto". Foi algo que o ex-presidente lhe disse quando ele se negou a bloquear a certificação da vitória de Biden.
O apoio a Pence ronda os 4,9% no agregado de sondagens calculado pela plataforma FiveThirtyEight, colocando-o em quarto junto dos eleitores Republicanos.
O politólogo Thomas Holyoke considera que o seu posicionamento como "demasiado honesto" pode cair bem junto do eleitorado geral. "Porque parte do motivo pelo qual ainda temos uma democracia é por causa do Mike Pence", referiu. "Mas, para muitos Republicanos, é difícil imaginar isso".
A outra face dos críticos de Trump é Chris Christie, que até 2020 esteve sempre do lado do então presidente. Agora, o ex-governador critica a "conduta ultrajante" que levou às acusações e comparou a equipa de Trump a um grupo de mafiosos.
"Mais ninguém nesta corrida está disposto a enfrentá-lo", disse Christie ao Wall Street Journal. "Estão todos ou a jogar por um lugar no governo dele, ou não conseguem fazê-lo. E não há forma de bater este tipo sem bater nele".
Christie tem apenas 1,8% nas intenções de voto. Está à frente apenas de Hutchinson, Burgum, Hurd e Suarez, nenhum dos quais chega sequer a 1% nas sondagens. Criticar Trump não está a surtir efeito para Christie ou Hutchinson, mas não criticar também não está a correr bem a Ramaswamy (6,7%), Haley (3,5%) ou Scott (2,9%).
Mesmo a campanha de Ron DeSantis, o candidato mais bem posicionado nas sondagens para bater Trump, perdeu gás nos últimos meses. O governador da Florida arrecada apenas 14,3% das intenções de voto e também não tem usado as acusações contra Trump a seu favor.
DeSantis disse, em entrevista à CNN, que não é bom ter uma campanha presidencial focada no que aconteceu há vários anos e que é preciso olhar em frente. "Este país enveredou pelo caminho da criminalização de diferenças políticas", acusou o governador da Florida.
É similar ao que outros candidatos têm dito. Nikki Haley afirmou em junho que estaria inclinada a perdoar Trump se este fosse condenado, tal como Vivek Ramaswamy e Larry Elder.
"Trump disse que podia atirar em alguém na 5ª Avenida e continuariam a gostar dele", lembrou Thomas Holyoke. Isso parece continuar a ser válido junto do eleitorado e a motivar o cuidado que os candidatos rivais têm na hora de o criticar, mesmo perante acusações graves.
"O próprio Trump disse no outro dia que mais uma ou duas acusações destas e a presidência está garantida", salientou Holyoke.
Com a discussão centrada no ex-presidente, os candidatos rivais têm apresentado poucas políticas que espelham a sua visão para o país e uma potencial presidência.
É possível até que o primeiro debate entre Republicanos, marcado para 23 de agosto em Milwaukee, seja dominado pelas questões em torno de Trump em vez de programas eleitorais concorrentes.
Até agora, os candidatos que atingiram as condições impostas pelo Comité Nacional Republicano para estarem no debate são Ron DeSantis, Tim Scott, Nikki Haley, Vivek Ramaswamy, Mike Pence, Chris Christie e Doug Burgum, além de Donald Trump. No entanto, o ex-presidente falou em boicotar o debate e ainda não declarou se vai ou não apresentar-se em palco.