Roberto Sánchez recorre a comissão interamericana para travar proclamação de Fujimori no Peru
O candidato de esquerda Roberto Sánchez, derrotado na segunda volta das presidenciais peruanas frente a Keiko Fujimori (direita), solicitou medidas cautelares à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) contra a proclamação dos resultados eleitorais, prevista para sexta-feira.
Sánchez recorreu à CIDH depois de o Júri Nacional de Eleições (JNE), a máxima autoridade eleitoral do país, ter rejeitado o pedido que fez para que fossem anulados os votos no estrangeiro, o que lhe daria a vitória na disputa, uma vez que foi o candidato mais votado no território nacional.
Com a contagem dos votos concluída, Fujimori venceu Sánchez por uma margem estreita de 49.641 votos, mas se os votos no estrangeiro fossem anulados, seria o candidato de esquerda o vencedor, com mais 32.014 votos do que a filha e herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).
O candidato e líder do "Juntos pelo Peru", que antes das eleições prometera respeitar os resultados, denunciou, embora sem a apresentação de provas, uma suposta fraude contra si e fundamentou o pedido de anulação dos votos dos peruanos no estrangeiro com o facto de ter sido alterada a forma de apuramento das atas em relação à primeira volta, escreveu a agência de notícias EFE.
Enquanto no primeiro turno as atas do exterior eram digitalizadas e enviadas em formato digital para apuramento, o Ministério dos Negócios Estrangeiros solicitou que se deixasse de proceder dessa forma no segundo turno, após terem surgido problemas com a plataforma informática.
Isto obrigou a que as atas fossem enviadas fisicamente para Lima para apuramento, o que, segundo Sánchez, foi feito sem a devida cadeia de custódia para preservar os resultados e abre a porta a uma suposta manipulação ainda não comprovada.
Os jurados eleitorais do Peru rejeitaram o pedido de Sánchez por ter sido apresentado fora do prazo e, além disso, por não terem sido pagas as taxas correspondentes de direito de tramitação.
O valor das taxas, que ascende a 1.375 soles (cerca de 353 euros) por cada mesa eleitoral que se pretende anular, é também um dos argumentos invocados por Sánchez para recorrer à CIDH, ao considerar que "o montante elevado de algumas taxas impede o acesso ao direito à justiça".
A proclamação dos resultados eleitorais da segunda volta presidencial do Peru está prevista para esta sexta-feira, 03 de julho, ao meio-dia (18:00 em Lisboa), pelo JNE, enquanto que, a 15 de julho, serão entregues a Fujimori as credenciais de presidente eleita e, a 28 de julho, dia nacional do Peru, vai ser empossada como chefe de Estado para o mandato de 2026-2031.