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Romeu di Lurdes, o cantor do quotidiano crioulo que quer ser ministro da Cultura de Cabo Verde

Romeu di Lurdes, o cantor do quotidiano crioulo que quer ser ministro da Cultura de Cabo Verde

Praia, 09 abr (Lusa) - Romântico assumido, Romeu di Lurdes é a nova promessa da música tradicional cabo-verdiana, um jovem dos sete ofícios que, entre os estudos, a música e o ativismo social, encontra tempo para sonhar com um futuro como ministro.

Lusa /

Romeu di Lurdes, nome artístico de Carlos Manuel Tavares Lopes, 26 anos, cantor, compositor, instrumentista, poeta, ativista e animador social, tornou-se há quatro anos conhecido do público cabo-verdiano ao participar no concurso musical "Talento Strela".

Hoje, junta-se aos Tubarões e a Ceuzany, no espetáculo de abertura da oitava edição do Kriol Jazz Festival, uma participação que espera lhe possa abrir outras portas.

"É um grande passo. Para mim é subir a um grande palco do mundo na minha terra. É o sonho de todos os artistas subir a um palco de reconhecimento, que tem associados internacionais e que é almejado pela classe musical", disse em entrevista à agência Lusa, mostrando-se consciente da exigência do desafio.

Assumidamente romântico e com nome artístico a condizer, Romeu di Lurdes entende que é o romantismo "que retrata a sensibilidade e a alma das coisas".

"Costumo dizer que nasci no dia 14 de fevereiro (Dia dos namorados)", brinca o cantor, que nasceu a 03 de setembro de 1989, no concelho de Santa Cruz, interior da ilha cabo-verdiana de Santiago, e vive atualmente na cidade da Praia.

"A minha música é para arrepiar, é para tocar e fazer as pessoas sentirem o calor da tradição, do amor, da amizade. Não tenho vergonha de usar palavras que usamos no dia-a-dia, porque, afinal, o que identifica é o que vivemos. Canto o quotidiano com toda a minha a alma", reforçou.

Oriundo de uma família "com grande amor e paixão pela música", Romeu di Lurdes começou a interessar-se pela música ainda criança, influenciado pela mãe Lurdes, que em casa cantava ritmos tradicionais cabo-verdianos.

Foi de resto com o dinheiro da venda de um telemóvel oferecido pela mãe que, aos 18 anos, comprou a primeira guitarra, que ainda hoje o acompanha para toda a parte.

Em 2010, foi para Portugal, onde viveu um ano e quatro meses com a mãe. A saudade e a nostalgia fizeram afirmar a cabo-verdianidade, tendo enveredado nessa altura pelos géneros mais tradicionais, como batuco, finançon, tabanca, mornas e coladeiras.

"Nessa altura acreditei que escrevendo sobre o quotidiano do meu povo, conseguia ver a minha cidade e o meu povo de perto", recordou, indicando que tem como referências no país, entre outros, os músicos Princezito e Orlando Pantera, já falecido.

O músico, que ainda não gravou nenhum disco, adianta que começa já a sentir a pressão do público nesse sentido.

"Já tenho o elenco das músicas que quero levar para o meu disco. Sentimos pressão porque há pessoas à nossa espera, e cada vez que subimos ao palco prometemos mais", disse, lembrando que para se lançar um CD é preciso meios, sobretudo financeiros.

Por isso, quer primeiro ter uma ligação a uma editora.

"Depois do CD o artista precisa de paz para o apresentar. Sou independente, faço as minhas logísticas, mas sei que se tivesse uma organização para tratar disso ia dar mais de mim no palco", explicou.

A terminar o curso de Gestão de Património Cultural, Romeu di Lurdes quer ainda fazer um mestrado, editar em livro os muitos versos que tem escrito e, um dia, chegar a ministro da Cultura cabo-verdiana, porque acredita que "para fazer algo importante é preciso estar numa posição decisiva".

O músico é ainda responsável por um projeto social no bairro de Ponta d`Água, um dos mais problemáticos da Praia, referenciado por violência e delinquência juvenil.

Com o lema "Desenvolver a comunidade através da cultura", o projeto ensina crianças e jovens a tocar vários instrumentos musicais, com o objetivo de construir famílias e sociedades mais saudáveis.

Romeu considera ser "desgastante" conciliar os estudos, com a música e o ativismo social, não faltando momentos em que pensa em desistir, mas entende que "com amor, fé e dedicação tudo é mais suave e mais eficiente".

"Conciliando essas coisas, sempre há dificuldades, há alturas que são mais exigentes, mas quando damos mais de nós recebemos mais para nós", concluiu.

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