Romney foi infeliz no comentário dos "47%" e Biden já passou por isso

Nova Iorque, 12 out (Lusa) - O republicano Paul Ryan admitiu que o candidato presidencial Mitt Romney foi infeliz ao dizer que 47 por cento dos norte-americanos são dependentes do Estado, respondendo que o mesmo já aconteceu ao seu adversário no debate vice-presidencial.

Lusa /

"Acho que o vice-presidente sabe muito bem que às vezes as palavras não saem da boca fora da maneira certa", disse Ryan a propósito de Joe Biden, conhecido por medir pouco as palavras e ser fonte de "gaffes", no primeiro e único debate entre ambos.

O público no debate de Danville, Estado do Kentucky, não podia manifestar-se durante o debate, mas não evitou a maior gargalhada coletiva da noite.

"Mas eu sempre digo o que penso", respondeu Biden entre os risos da audiência, sustentando que Romney foi sincero no seu comentário.

Num vídeo de maio, captado em segredo e ressurgido durante a campanha, Romney afirma que os 47 por cento dos norte-americanos que não pagam impostos preferem a dependência do Estado à responsabilidade pessoal, esperando do Governo saúde, alimentação, habitação.

Esta percentagem inclui os mais pobres, mas também idosos ou os militares que prestam serviço no Afeganistão ou Iraque, pelo que o comentário levou a um dos mais baixos momentos da campanha republicana.

Marcadamente mais agressivo, o debate entre candidatos a vice-presidente decorreu uma semana depois de Mitt Romney ter ganho o primeiro de três frente-a-frente com Obama, e assim ter iniciado uma recuperação nas sondagens.

Obama foi criticado por democratas por não ter usado a questão dos "47 por cento" contra Romney, e hoje Biden fê-lo frequentemente, dizendo que mostra que os candidatos republicanos querem apoiar os ricos, não a classe média.

"Esses 47 por cento são a minha mãe e pai, as pessoas com quem eu cresci, os meus vizinhos. São pessoas idosas, são veteranos e combatentes no Afeganistão", disse Biden.

Ryan respondeu evocando os 30 por cento de rendimentos doados por Romney a instituições de caridade, que mostram que é "um homem bom, que se preocupa com 100 por cento do país".

O congressista republicano acusou ainda a administração Obama de levar a economia "na direção errada", evocando os números elevados do desemprego, o abrandamento do crescimento económico e maior percentagem de população a viver na pobreza.

O debate tornou-se por vezes pessoal entre os dois candidatos, como quando Ryan criticava o pacote de estímulo económico da administração Obama, levando Biden a interromper, como aliás fez frequentemente.

"Ryan enviou-me duas cartas a dizer `pode enviar-me mais dinheiro de estímulo? Iria criar crescimento e empregos´. São as palavras dele. E agora ele está aqui a olhar para mim?", disse Biden.

Ryan reconheceu ter enviado o pedido em nome de empresas do seu distrito eleitoral, defendendo ser esse o seu papel como congressista, e voltou ao ataque, dizendo que este tipo de ataques são típicos de "políticos que não têm um histórico por trás da sua candidatura".

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