Rosita nasceu numa árvore nas cheias em Moçambique mas não resistiu à anemia 25 anos depois
Rosita Mabuiango, que nasceu em cima de uma árvore nas cheias de 2000 em Moçambique, morreu hoje com anemia, depois de a sua história ter provocado comoção internacional que a levou até ao Congresso norte-americano.
"A Rosita morreu às 05:00 [03:00 em Lisboa] de hoje, mas há dois meses que andava doente de anemia", disse à Lusa Salvador Mabuiango, o pai.
Rosita nasceu a 01 de março de 2000 no cume de uma árvore que sobressaía na água nas cheias no sul de Moçambique e, segundo o pai, o quadro clínico piorou no mês de janeiro, tendo sido internada no Hospital Rural de Chibuto, na província de Gaza, acabando por receber alta dias mais tarde.
Já o presidente do Conselho Municipal de Chibuto, Henriques Machava, explicou à Lusa que a jovem faleceu à porta da unidade hospitalar, antes mesmo de receber, de novo, tratamento: "Andou doente durante algum tempo, melhorou e teve alta, estava em casa. Então, hoje de manhã teve uma recaída e foi levada ao hospital, mas morreu à porta do hospital".
Na altura do nascimento de Rosita, Joaquim Chissano, o então Presidente moçambicano, referiu que a coragem da mãe da menina, Sofia Pedro, então com 22 anos, dando à luz em cima da árvore, devido às cheias que causaram vítimas - 700 mortos só entre fevereiro e março desse ano - e danificaram o país simbolizava "a dor de todos os moçambicanos e a esperança no futuro".
Equipas de socorro de um helicóptero militar sul-africano salvaram Rosita e Sofia Pedro, uma hora depois do seu nascimento, sobre a árvore onde a sua mãe se refugiou, na periferia do Chibuto (norte de Maputo).
Estavam ambas empoleiradas numa árvore há quatro dias devido às inundações que tomaram várias localidades. A operação de salvamento permitiu içar para bordo do helicóptero a mãe e a bebé, ainda com a placenta, e mais uma dezena de outras mulheres e crianças que se encontravam sobre a mesma árvore.
Em junho do mesmo ano, os congressistas norte-americanos aproveitaram a visita ao Congresso, nos Estados Unidos da América, da menina moçambicana, para solicitar uma ajuda suplementar para o país.
Representantes democratas exortaram Washington a aumentar a ajuda aos milhares de deslocados e sem abrigo, bem como à diminuição da dívida de Moçambique, ao mesmo tempo que Rosita, acompanhada da mãe, era apresentada como "um símbolo da esperança".