Acrescenta rapidamente que não concorda com muito do que aqui se faz, mas que não tem alternativa senão apoiar agora a luta do governo. Porque, acrescenta, "entre uma Síria secular e uma Síria com um regime tipo saudita, não há escolha possível". Depois poderá então lutar por mais democracia, conclui.
Nas ruelas em redor da grande mesquita dos Omíadas, onde os turistas outrora circulavam, o rosto do presidente é omnipresente. Está em todas as lojas, em quase todas as ruas.
Como os milicianos: à civil ou em traje semi-militar. Sempre de rosto simpático, sempre a pedir os documentos que nos autorizam as filmagens. O controle e a segurança andam de mãos dadas na capital. E a guerra é a prioridade. A democracia talvez surja um dia.
O próprio presidente o admite, quando o confrontei com a questão, e respondeu sem pestanejar que não há democracia na Síria.
Paulo Dentinho e Carlos Pinota na capital síria em 2012 (à esq.) e em 2016
A crónica em vídeo é com o Carlos Pinota (e não, não está lá o rosto do jovem que falou comigo).
Mundo
Rostos de Damasco
"Sim, não aprecio o regime", diz-me um jovem adulto numa conversa entre dois dedos de chá no muito velho bazar Al-Hamidiyah, na velha Damasco. Mas quando me pergunta o que faço e lhe respondo que sou jornalista, o rosto mostra uma inesperada inquietação.
Paulo Dentinho, Carlos Pinota - RTP