Rotas migratórias em África estão a mudar, mas riscos permanecem elevados diz OIM

Rotas migratórias em África estão a mudar, mas riscos permanecem elevados diz OIM

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontou hoje num relatório que as rotas migratórias em África estão a alterar-se, devido ao reforço dos controlos fronteiriços, mas que se mantêm elevados os riscos de morte, exploração e tráfico.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

De acordo com o relatório "Visão Global das Rotas Migratórias (janeiro a abril de 2026)", na Rota Atlântica da África Ocidental, que liga as costas africanas às ilhas Canárias - território espanhol - as chegadas caíram 78% entre janeiro e abril, para 2.276, a maior diminuição entre as rotas monitorizadas pela OIM para a Europa.

A organização alertou, contudo, que a redução das chegadas não significa necessariamente uma diminuição dos riscos enfrentados pelos migrantes, uma vez que os pontos de partida se têm deslocado progressivamente para sul, para a Guiné-Conacri, Guiné-Bissau e Gâmbia.

A mudança, explicou, surge como resposta ao reforço dos controlos fronteiriços em países como Marrocos, Mauritânia e Senegal.

Espanha e a União Europeia têm reforçado parcerias com países de origem e trânsito da África Ocidental, através de financiamento, apoio ao reforço de capacidades e medidas de vigilância costeira e controlo migratório para ajudar a conter os fluxos.

No entanto, segundo a agência das Nações Unidas, essas medidas contribuíram para deslocar as partidas marítimas para zonas costeiras mais remotas, onde os migrantes ficam "mais expostos a traficantes, condições precárias, desinformação, extorsão, interceção e acesso limitado a assistência".

Entre janeiro e abril, foram registados 1.364 retornos provenientes da Gâmbia, Mauritânia e Senegal. No mesmo período, foram contabilizadas 155 mortes e desaparecimentos na Rota Atlântica da África Ocidental, menos 48% do que no período anterior, com o afogamento a continuar a ser a principal causa de morte.

Os traficantes recorrem frequentemente a embarcações sobrelotadas e sem condições de navegabilidade, enquanto falhas nos equipamentos de navegação ou condições adversas podem levar as embarcações para Cabo Verde ou para zonas mais afastadas do Atlântico.

Sobre a Rota Oriental do Corno de África, que liga sobretudo a Etiópia e a Somália à Península Arábica, registaram-se 70.200 chegadas ao Iémen, um aumento de 9% em termos homólogos. A maioria das travessias teve origem no Djibuti. Uuma proporção menor partiu da Somália.

A rota, utilizada sobretudo por migrantes etíopes, permanece particularmente perigosa devido ao conflito no Iémen, em curso desde 2014, alertou.

Durante o período analisado, foram registadas cerca de 33.000 devoluções de migrantes para a Etiópia organizadas pela Arábia Saudita, menos 9% do que no final de 2025.

A OIM contabilizou ainda 105 mortes e desaparecimentos de migrantes nesta rota, com o afogamento a ser novamente a principal causa de morte.

"Os migrantes enfrentam riscos persistentes e generalizados nesta rota", incluindo detenção, extorsão, violência física e exploração por redes de tráfico de pessoas, alertou a OIM.

Por fim, sobre a Rota da África Oriental e Austral, que parte sobretudo do sul da Etiópia e da Somália e atravessa vários países - nomeadamente Moçambique - até à África do Sul, os movimentos registados em direção ao país diminuíram 39%, de 39.800 entre janeiro e abril de 2025 para 24.200 no mesmo período deste ano.

A diminuição foi particularmente expressiva entre os cidadãos do Zimbabué, com menos 69%, e da Etiópia, com menos 62%. Já os movimentos provenientes de Moçambique referidos pela OIM diminuíram 7%.

A organização associou parte desta redução ao reforço do controlo migratório na África do Sul.

Os retornos, por sua vez, aumentaram 27%. A maioria na África do Sul, responsável por 72% dos casos, seguida de Moçambique, com 21%, e do Zimbabué, com 6%.

A OIM apontou o desemprego, falta de acesso a terras e a procura de trabalho como alguns dos fatores que impulsionam estes movimentos.

As viagens nesta rota são marcadas por "transportes inseguros e sobrelotados", exposição às condições meteorológicas, animais selvagens e abusos associados à ação de traficantes.

 



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