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Ruanda em negociações para receber migrantes deportados de países europeus
O governo ruandês anunciou esta sexta-feira que foram iniciadas "discussões preliminares" com vários países europeus para servir de país de trânsito a migrantes deportados.
Em declarações à Agência France Press, a porta-voz do Governo ruandês, Yolande Makolo, confirmou, "iniciámos discussões preliminares com alguns países europeus, mas ainda não foi decidido nada".
O país iria receber migrantes a quem foi negada a
entrada na Europa, refere a agência noticiosa, afirmando que Yolande Makolo não revelou com que países europeus decorrem as negociações.
"Uma das ideias que estamos a discutir diz respeito ao centro de
trânsito de emergência que temos em Gashora" (leste), para onde foram
enviados milhares de migrantes retidos na Líbia a partir de 2019, e
muitos dos quais já partiram, salvando "muitas vidas", explicou a porta-voz quando questionada quinta-feira pela rádio ruandesa Royal FM sobre um acordo específico com Itália.
Nesse local, as "famílias" poderiam "receber cuidados médicos, passar por algum tipo de treino e descansar", continuou Yolande Makolo.
"É também onde os pedidos de asilo são processados", e estas pessoas "podem regressar ao seu país de origem, se este for seguro e se assim o desejarem, ou serem realojadas noutros países", acrescentou.
Em Junho, o Parlamento Europeu aprovou um regulamento sobre o regresso
de requerentes de asilo rejeitados, incluindo a possibilidade de os
Estados-Membros celebrarem acordos para a criação de centros de detenção
fora das fronteiras da UE, o que suscitou preocupações entre os
defensores dos direitos humanos.
Dois meses antes, alguns Estados europeus, como a Dinamarca, a Áustria, a Grécia, a Alemanha e os Países
Baixos, admitiam estar estudar a possibilidade de tais acordos com cerca de
dez países, incluindo o Ruanda.
Quando assumiu o cargo, em 2024, o atual primeiro-ministro trabalhista, Keith Starmer, declarou rapidamente o acordo "morto e enterrado", por o ter considerado "ilegal" pelo Supremo Tribunal do Reino Unido.
c/agências