Ruanda em negociações para receber migrantes deportados de países europeus

Ruanda em negociações para receber migrantes deportados de países europeus

O governo ruandês anunciou esta sexta-feira que foram iniciadas "discussões preliminares" com vários países europeus para servir de país de trânsito a migrantes deportados.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Manifestação do movimento "Basta!", no Reino Unido, convocado por ativistas de extrema-direita contra o alojamento de requerentes de asilo num hotel de Rushmoor, em 2024. Foto: Justin Tallis - AFP

Em declarações à Agência France Press, a porta-voz do Governo ruandês, Yolande Makolo, confirmou, "iniciámos discussões preliminares com alguns países europeus, mas ainda não foi decidido nada".

O país iria receber migrantes a quem foi negada a entrada na Europa, refere a agência noticiosa, afirmando que Yolande Makolo não revelou com que países europeus decorrem as negociações.

"Uma das ideias que estamos a discutir diz respeito ao centro de trânsito de emergência que temos em Gashora" (leste), para onde foram enviados milhares de migrantes retidos na Líbia a partir de 2019, e muitos dos quais já partiram, salvando "muitas vidas", explicou a porta-voz quando questionada quinta-feira pela rádio ruandesa Royal FM sobre um acordo específico com Itália.

Nesse local, as "famílias" poderiam "receber cuidados médicos, passar por algum tipo de treino e descansar", continuou Yolande Makolo.

"É também onde os pedidos de asilo são processados", e estas pessoas "podem regressar ao seu país de origem, se este for seguro e se assim o desejarem, ou serem realojadas noutros países", acrescentou.

Em Junho, o Parlamento Europeu aprovou um regulamento sobre o regresso de requerentes de asilo rejeitados, incluindo a possibilidade de os Estados-Membros celebrarem acordos para a criação de centros de detenção fora das fronteiras da UE, o que suscitou preocupações entre os defensores dos direitos humanos.

Dois meses antes, alguns Estados europeus, como a Dinamarca, a Áustria, a Grécia, a Alemanha e os Países Baixos, admitiam estar estudar a possibilidade de tais acordos com cerca de dez países, incluindo o Ruanda.

Kigali assinou um acordo migratório com o Reino Unido em 2022, quando o país era governado pelo primeiro-ministro conservador Boris Johnson. O acordo visava devolver à região dos Grandes Lagos, em África, os migrantes que tinham entrado ilegalmente na Grã-Bretanha.

Quando assumiu o cargo, em 2024, o atual primeiro-ministro trabalhista, Keith Starmer, declarou rapidamente o acordo "morto e enterrado", por o ter considerado "ilegal" pelo Supremo Tribunal do Reino Unido.

c/agências
PUB