Rubio diz que venda de armas a Taiwan depende das necessidades de defesa dos EUA

Rubio diz que venda de armas a Taiwan depende das necessidades de defesa dos EUA

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que as vendas de armas a Taiwan dependem das necessidades militares dos Estados Unidos, numa altura em que permanece incerta a aprovação de um pacote de armamento para Taipé.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Qualquer venda de armas que façamos a qualquer país, e isto também se aplica a Taiwan, tem de ser equilibrada com aquilo que os nossos comandantes militares em todo o mundo nos dizem serem as suas necessidades mínimas em caso de conflito na respetiva região", afirmou Rubio, numa conferência de imprensa.

"E esse é o processo que estamos a seguir não apenas com Taiwan, mas em relação a todos os compromissos que assumimos. Foi essa a resposta que dei anteriormente e é isso que nos orienta agora, não apenas no caso de Taiwan, mas nas vendas militares ao estrangeiro para qualquer país", acrescentou.

Rubio respondia a uma questão sobre um pacote no valor de 14 mil milhões de dólares (mais de 12 mil milhões de euros) que, caso se concretize, será o maior de sempre destinado à ilha, mas que ainda não recebeu a aprovação da administração republicana.

O fornecimento de armas a Taipé deverá ser um dos temas presentes nas conversações entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o homólogo norte-americano, Donald Trump, que vão abordar nos próximos dias, em Washington, os principais assuntos da agenda bilateral.

Trump, que desde o regresso à Casa Branca tem suscitado dúvidas sobre o histórico compromisso de Washington com a defesa da ilha, reconheceu, após a visita a Pequim em maio, que Xi lhe falou sobre Taiwan "a noite toda" e classificou as vendas de armas a Taipé como uma "ótima moeda de troca" dos Estados Unidos em negociações com a China.

Numa carta dirigida a Rubio e ao secretário da Guerra, Pete Hegseth, os senadores republicanos Mitch McConnell, John Cornyn, Lisa Murkowski e Thom Tillis pediram na quarta-feira à administração norte-americana que desbloqueie mais de 15 mil milhões de dólares (mais de 13 mil milhões de euros) em assistência de segurança a Taipé, incluindo o referido pacote de armamento.

"Preocupa-nos que o Presidente Trump tenha descrito Taiwan como `uma ótima moeda de troca` nos seus contactos com Xi Jinping e o Partido Comunista Chinês. É difícil imaginar como os Estados Unidos poderiam projetar de forma credível a sua influência no Indo-Pacífico se o preço de preservar as aparências diplomáticas for negar aos nossos parceiros capacidades de dissuasão essenciais", sublinharam os senadores.

A China considera Taiwan uma "parte inalienável" do seu território e não exclui o recurso à força para assumir o controlo da ilha, posição rejeitada pelas autoridades taiwanesas, que sustentam que Taiwan já é, `de facto`, um país soberano e independente.

Há mais de sete décadas que os Estados Unidos ocupam uma posição central na disputa entre Pequim e Taipé. Washington é o principal fornecedor de armas à ilha e, apesar de não manter relações diplomáticas com Taiwan, conserva uma política de "ambiguidade estratégica" sobre uma eventual intervenção militar em caso de conflito com a China.

Tópicos
PUB