Rubio garante que EUA não têm intenção de matar pescadores após ataques no Pacífico
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, garantiu hoje no Equador que a administração liderada por Donald Trump não tem "intenção de matar pescadores", após os ataques a embarcações de pesca equatorianas em águas do Pacífico nas últimas semanas.
As seis embarcações equatorianas afundadas eram suspeitas, para os EUA, de estarem ligadas ao grupo criminoso Los Choneros, um dos mais ativos do país andino e considerado uma organização terrorista por ambas as nações.
Rubio explicou que "o maior risco existente é que estes grupos continuem a operar".
"Há cidades aqui [no Equador] que são seguras, mas outras apresentam as taxas de homicídio mais elevadas da região. É um perigo para a população. É preciso enfrentar estas pessoas, e fico feliz por haver aqui um presidente disposto a fazer alguma coisa", apontou.
O chefe da diplomacia norte-americana indicou ainda que Washington procura também combater a "pesca ilegal".
Desde 28 de agosto, pelo menos seis embarcações equatorianas foram afundadas pela Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos, em coordenação com o governo equatoriano.
Segundo o Comando Sul dos EUA, os barcos funcionavam como estações flutuantes de reabastecimento de combustível para lanchas que transportam grandes quantidades de cocaína da costa equatoriana para a América do Norte.
No entanto, uma investigação do jornal Washington Post afirmou que os ataques contra pescadores perto das Galápagos, no mês de janeiro, faziam parte de um programa secreto da CIA.
"O que posso dizer --- e não estou a falar deste incidente em particular --- é que não escondemos que vamos perseguir embarcações dedicadas ao tráfico de droga. Fazemos isto há mais de um ano", declarou Rubio.
Em resposta à agência Efe, o secretário de Estado afirmou ainda que os grupos de crime organizado que operam no Equador chegaram "em cooperação com a esquerda", referindo-se ao ex-Presidente Rafael Correa (2007-2017), atualmente refugiado na Bélgica depois de ter sido condenado por corrupção, condenação que alega ser fruto de perseguição política.
"Os movimentos de esquerda destruíram os países da América Latina. O que é que estes movimentos produziram? A miséria, na Venezuela, em Cuba, na Nicarágua", explicou, acrescentando que, durante o governo de Gustavo Petro (2022-2026) na Colômbia, foram estabelecidas "ligações com estes grupos".
"O que não vamos permitir é viver numa região que, eventualmente, ameace os Estados Unidos", alertou.
Quanto às questões comerciais, outro tema a ser tratado durante a visita de Rubio ao país andino, o governante salientou que o acordo comercial entre as duas nações está a ser trabalhado e que houve avanços após a sua reunião com o presidente Daniel Noboa.
"Tivemos negociações muito boas, houve bastantes progressos e espero boas notícias em breve", concluiu.